O promotor Francisco Cembranelli participou da cerimônia
Foto: Raphael Falavigna/Terra
- Hermano Freitas
- Direto de São Paulo
O promotor Francisco Cembranelli descartou, nesta terça-feira, a possibilidade de um novo júri popular para o casal Nardoni pela morte da menina Isabella. Segundo ele, o julgamento da semana passada foi "o primeiro e único". "Como cidadão isto me deixaria indignado, acredito que o recurso da defesa não terá provimento", disse o promotor.
A defesa do casal, representada pelo advogado Roberto Podval, afirma que irá recorrer da condenação nesta semana e pedir um novo julgamento com base em uma lei antiga, em vigor na época do crime, que garante automaticamente um novo júri para penas maiores de 20 anos.
Cembranelli deu a declaração após a missa de dois anos pela morte de Isabella, realizada nesta noite na Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres, no bairro Parada Inglesa, zona norte de São Paulo. Mais de 800 pessoas acompanharam a cerimônia. A missa aconteceu três dias após a condenação do pai e da madrasta da menina, Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, a 31 anos e 26 anos, respectivamente.
O promotor, que conduziu a acusação contra o casal, foi muito aplaudido e ovacionado como um herói na igreja. Cembranelli afirmou que as palmas que recebeu foram uma demonstração de carinho e compreensão pelo trabalho realizado pelo Ministério Público no julgamento dos Nardoni.
Ainda de acordo com ele, mesmo que impetre um recurso, o casal condenado também não deve ter sua pena aumentada. "Desconsidero. A pena foi suficiente", disse. Em alguns casos de pedidos de anulação de júri popular, existe a possibilidade de que o magistrado que dosou a pena a revise para cima.
A mãe da menina, Ana Carolina Oliveira, chegou 15 minutos antes do início da cerimônia e cumprimentou dezenas de pessoas que vestiam camisetas com uma estampa de sua filha.
O avô materno de Isabella, José Oliveira, afirmou que a família está saindo de uma "ressaca" pela tensão do julgamento e criticou os advogados de defesa por terem retido sua filha no Fórum de Santana. Ana Carolina ficou no local, a pedido do advogado Roberto Podval, desde o primeiro dia do júri, quando depôs, até o último, para o caso de haver necessidade de uma acareação. "Foi um tiro no pé", afirmou.
O padre que celebrou a missa foi o mesmo que batizou Isabella Nardoni, há quase oito anos. "Esta cerimônia é para dar forças à mamãe", disse Humberto Robson de Carvalho. "É bom a comunidade ver de perto quando alguém luta pela justiça", afirmou, se referindo ao promotor. Cembranelli foi mais uma vez aplaudido por todos os que estavam na igreja. A cerimônia teve início pontualmente às 20h.
Julgamento
O júri popular de Alexandre e Anna Jatobá durou cinco dias, de 22 a 27 de março, quando foi lida a sentença. A pena foi agravada pelo crime ter sido cometido contra menor de 14 anos, triplamente qualificado por meio cruel (asfixia mecânica e sofrimento intenso), utilização de recurso que impossibilitou a defesa da vítima (surpresa na esganadura e lançamento inconsciente pela janela) e com o objetivo de ocultar crime cometido anteriormente (esganadura e ferimentos praticados anteriormente contra a mesma vítima). Nardoni pegou pena maior por ter matado a própria filha.
O casal seguirá cumprindo sua pena nas penitenciárias maculina e feminina de Tremembé (a cerca de 130 km da capital paulista), onde retomará as atividades que fazia antes do julgamento e que incluem trabalho.
O caso
Isabella tinha 5 anos quando foi encontrada ferida no jardim do prédio onde moravam o pai, Alexandre Nardoni, e a madrasta, Anna Carolina Jatobá, na zona norte de São Paulo, em 29 de março de 2008. Segundo a polícia, ela foi agredida, asfixiada, jogada do sexto andar do edifício e morreu após socorro médico. O pai e a madrasta foram condenados, mas sempre negaram as acusações e alegam que o crime foi cometido por uma terceira pessoa que invadiu o apartamento.
- Redação Terra










