Comércio próximo ao Fórum de Santana ficou lotado nos dias de julgamento
Foto: Ivan Pacheco/Terra
- Fabiano Rampazzo
- Direto de São Paulo
A grande quantidade de jornalistas e curiosos que desde a segunda-feira (22) se concentrou em frente ao Fórum Regional de Santana, onde aconteceu o julgamento do casal Nardoni, provocou uma grande mudança na rotina do comércio da região. Teve quem lucrou bastante, mas teve também quem reclamou. O fato é que as pessoas presentes no local deram nova dinâmica à lógica comercial do bairro.
"Tivemos um aumento de 70% no faturamento esta semana. Compramos mais comida, mais carne, mais refrigerante. Para nós foi muito bom", disse Tatiane Torresani, 26 anos, proprietária de um restaurante que fica em frente ao fórum.
"Nosso horário de fechamento é às 14h30, mas nessa semana até as 17 horas tinha gente querendo entrar", afirmou ela, que declarou ter adequado o restaurante prevendo uma maior movimentação na semana de julgamento. "Pintamos a fachada de vermelho para chamar mais a atenção".
Próximo dali, o dono de um posto de gasolina também comemorou a semana Nardoni. "Eu vendo aqui 100 salgadinhos por semana, com o julgamento passei a vender essa mesma quantidade por dia" disse Harley Ricardo Riveiro, 34 anos, que administra o posto e a loja de conveniência. "Vendemos também três vezes mais refrigerantes, sem falar no aumento de 40% na pista de abastecimento", afirmou.
O outro lado da moeda
Nem todo mundo saiu ganhando com a circulação gerada pelo julgamento em frente ao Fórum de Santana. Alguns reclamaram, e teve até quem saiu perdendo. "Aqui o movimento caiu muito", disse Patrícia Santos, 25 anos, funcionária do estacionamento ao lado do fórum.
Ela explicou que a maioria dos clientes do estacionamento é de advogados que frequentam o fórum. "Mas com essa muvuca aí do lado, eles evitaram vir para cá essa semana. Ficou um sossego", afirmou.
Também pertinho do fórum, o dono de uma oficina mecânica não via a hora do julgamento acabar. "Para mim, vou te falar a verdade, atrapalhou bastante. Os carros da imprensa tomaram as vagas dos meus clientes e dificultaram o processo de carga e descarga da oficina", disse Luciano dos Santos, 28 anos. Ele contou, ainda, que chegou a protocolar uma reclamação junto à Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). "Ainda bem que terminou essa bagunça", afirmou.
Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá foram condenados na madrugada deste sábado pela morte de Isabella Nardoni, 5 anos, filha e enteada dos réus. Após cinco dias de júri, realizado no Fórum de Santana, o casal foi apontado como responsável por agredir, asfixiar e jogar a menina do sexto andar do edifício London, na zona norte de São Paulo, em 29 de março de 2008.
O juiz Maurício Fossen definiu a pena de Alexandre Nardoni em 31 anos, um mês e dez dias em regime fechado, enquanto a de Anna Carolina Jatobá foi de 26 anos e oito meses. Os dois foram condenados também a oito meses de prisão em regime semiaberto por fraude processual. A decisão, proferida por volta das 0h40, foi comemorada por cerca de 200 pessoas que acompanhavam a movimentação do julgamento.
O caso
Isabella tinha 5 anos quando foi encontrada ferida no jardim do prédio onde moravam o pai, Alexandre Nardoni, e a madrasta, Anna Carolina Jatobá, na zona norte de São Paulo, em 29 de março de 2008. Segundo a polícia, ela foi agredida, asfixiada, jogada do sexto andar do edifício e morreu após socorro médico. O pai e a madrasta foram os únicos indiciados, mas sempre negaram as acusações e alegam que o crime foi cometido por uma terceira pessoa que invadiu o apartamento.
- Redação Terra


