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 Após janta, jurados se reúnem para votar futuro dos Nardoni
26 de março de 2010 22h36 atualizado às 22h47

Mais de 100 pessoas aguardam veredicto em frente ao Fórum de Santana. Foto: Ivan Pacheco/Terra

Mais de 100 pessoas aguardam veredicto em frente ao Fórum de Santana
Foto: Ivan Pacheco/Terra

Após um intervalo de uma hora para janta, o julgamento de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobbá foi retomado no Fórum de Santana, na zona norte de São Paulo. Às 22h10, o Conselho de Sentença, formado por sete jurados, se reuniu na sala secreta para a votação dos quesitos.

Cerca de 30 minutos antes, o Tribubal de Justiça divulgou as 11 perguntas formuladas para o júri do casal, acusado de matar Isabella em 2008. O veredicto - absolvição ou condenação - será proferido após a apuração da votação secreta. Em seguida, o magistrado fará a leitura da decisão do júri no Plenário, o que está previsto para o início da madrugada de sábado, de acordo com o Tribunal de Justiça de São Paulo. Caso Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá sejam condenados, estabelecerá a pena ao casal.

Quesitos
1A - A esganadura causou a morte? 1B - Ela (vítima) foi lançada ela janela?
2A - Alexandre deixou de socorrer a vítima durante a esganadura? 2B - Foi ele (Alexandre) que a jogou pela janela?
3 - O jurado absolve o réu?
4A - O crime foi cometido de forma cruel (esganadura)? 4B - O crime foi cometido de forma cruel (lançamento pela janela)?
5A - Houve emprego de recurso que impossibilitou a defesa da vítima durante a esganadura? 5B - Houve emprego de recurso que impossibilitou a defesa da vítima durante o lançamento pela janela?
6 - O crime foi cometido para esconder a esganadura?
7 - O crime doi cometido contra menor de 14 anos?
8 - Mexeram no local do crime?
9 - Eles lavaram a roupa para impedir a coleta de prova?
10 - O jurado absolve o réu?
11 - Ele (Alexandre) fez isso para eximir-se da culpa?

Debates
Os debates entre defesa de acusação terminaram por volta das 21h. Ao contrário do promotor Francisco Cembranelli, que usou as quatro horas e meia permitidas para ambos os lados, a equipe de Podval utilizou apenas duas horas - pouco mais de uma hora na primeira explanação e 45 minutos da tréplica.

Na tréplica, Podval fez usou o in dubio pro reo para pedir a absolvição dos acusados. A expressão latina significa literalmente que, na dúvida ou insuficiência de provas, o júri deve agir a favor do réu, como princípio da legalidade. "Não há prova (contra o casal). Vocês (jurados) condenarão sem prova?", disse.

Antes, na sua primeira explanação, o advogado comparou o desaparecimento de Madeleine McCann com a morte de Isabella para fazer uma crítica à sociedade brasileira. A menina inglesa sumiu em Portugal, durante as férias da família, e os pais chegaram a ser apontados como suspeitos. "Lá na Inglaterra, a sociedade foi contra a perícia, contra a polícia e não condenou os pais (de Madeleine)", afirmou.

Acusação
Em sua argumentação, o promotor Cembranelli, afirmou que não há possibilidade de um dos réus ser condenado e o outro ser inocentado. "Temos de condenar o casal não a uma pena de 30 anos, como apavorou a defesa, mas a uma pena justa", disse.

Ao falar da madrasta de Isabella, Anna Carolina Jatobá, Cembranelli explorou o perfil da acusada, citando um histórico agressivo da acusada. "Do mesmo jeito que estraçalhou uma vidraça com a mão, Jatobá esganou Isabella como a uma miniatura de Ana Carolina (de Oliveira, mãe da menina)", afirmou.

O caso
Isabella tinha 5 anos quando foi encontrada ferida no jardim do prédio onde moravam o pai, Alexandre Nardoni, e a madrasta, Anna Carolina Jatobá, na zona norte de São Paulo, em 29 de março de 2008. Segundo a polícia, ela foi agredida, asfixiada, jogada do sexto andar do edifício e morreu após socorro médico. O pai e a madrasta foram os únicos indiciados, mas sempre negaram as acusações e alegam que o crime foi cometido por uma terceira pessoa que invadiu o apartamento.

O júri popular do casal começou em 22 de março e deve durar cinco dias. Pelo crime de homicídio, a pena é de no mínimo 12 anos de prisão, mas a sentença pode passar dos 20 anos com as qualificadoras de homicídio por meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e tentativa de encobrir um crime com outro. Por ter cometido o homicídio contra a própria filha, Alexandre Nardoni pode ter pena superior à de Anna Carolina, caso os dois sejam condenados.

Redação Terra