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 "Vocês condenarão sem prova?", pergunta Podval a jurados
26 de março de 2010 22h03 atualizado às 22h20

Roberto Podval falou durante 45 minutos na tréplica. Foto: Raphael Falavigna/Terra

Roberto Podval falou durante 45 minutos na tréplica
Foto: Raphael Falavigna/Terra

Hermano Freitas
Direto de São Paulo

O advogado Roberto Podval fez, na noite desta sexta-feira, sua última tentativa de provar a inocência do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, acusados de matar Isabella Nardoni. "Não há prova (contra o casal). Vocês (jurados) condenarão sem prova?", perguntou, durante tréplica.

Os debates entre a acusação e a defesa encerraram por volta das 21h. Após uma hora de intervalo para janta, o Conselho de Sentença, formado por sete jurados, se reunirá para decidir o destino dos réus.

Ao contrário do promotor Francisco Cembranelli, que usou as quatro horas e meia permitidas para ambos os lados, a equipe de Podval utilizou apenas duas horas - pouco mais de uma hora na primeira explanação e 45 minutos da tréplica. O representante do Ministério Público usou provas técnicas para tentar incriminar Nardoni, enquanto explorou o perfil de Anna Carolina Jatobá, tentando mostrar ao júri que a acusada é violenta.

O caso
Isabella tinha 5 anos quando foi encontrada ferida no jardim do prédio onde moravam o pai, Alexandre Nardoni, e a madrasta, Anna Carolina Jatobá, na zona norte de São Paulo, em 29 de março de 2008. Segundo a polícia, ela foi agredida, asfixiada, jogada do sexto andar do edifício e morreu após socorro médico. O pai e a madrasta foram os únicos indiciados, mas sempre negaram as acusações e alegam que o crime foi cometido por uma terceira pessoa que invadiu o apartamento.

O júri popular do casal começou em 22 de março e deve durar cinco dias. Pelo crime de homicídio, a pena é de no mínimo 12 anos de prisão, mas a sentença pode passar dos 20 anos com as qualificadoras de homicídio por meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e tentativa de encobrir um crime com outro. Por ter cometido o homicídio contra a própria filha, Alexandre Nardoni pode ter pena superior à de Anna Carolina, caso os dois sejam condenados.

Redação Terra