Cembranelli disse que os acusados não devem pegar pena máxima
Foto: Raphael Falavigna/Terra
- Hermano Freitas
- Direto de São Paulo
O promotor Francisco Cembranelli, responsável pela acusação contra o casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, afirmou na noite desta sexta-feira, durante sua réplica no Fórum de Santana, que não há possibilidade de um dos réus ser condenado e o outro ser inocentado. "Temos de condenar o casal não a uma pena de 30 anos, como apavorou a defesa, mas a uma pena justa", disse o promotor.
Ao falar da madrasta de Isabella, Anna Carolina Jatobá, Cembranelli explorou o perfil da acusada, citando um histórico agressivo da acusada. "Do mesmo jeito que estraçalhou uma vidraça com a mão, Jatobá esganou Isabella como a uma miniatura de Ana Carolina (de Oliveira, mãe da menina)", disse Cembranelli.
Antigo advogado
Cembranelli sugeriu ainda que Marco Polo Levorin, ex-advogado do casal Nardoni, deixou a defesa porque teria se convencido da culpa dos réus. "Levorin prometeu deixar o caso se tivesse certeza da culpa deles", disse. O advogado abandonou o caso em abril de 2009, e Roberto Podval assumiu a defesa. O novo advogado rebateu dizendo que Cembranelli foi "deselegante".
A afirmação foi feita durante o relato das mais de de 20 decisões judiciais contra os réus tomadas em diversas instâncias. Podval argumentou que as decisões eram liminares e que não havia sido julgado o mérito das questões quando Cembranelli disse que o ex-advogado dos Nardonis crê na culpa. O bate-boca gerado pela declaração foi repreendido pelo juiz Mauricio Fossen, que pediu moderação às duas partes.
Ao ser chamado de deselegante, Cembranelli afirmou que Podval é que o era, ao sugerir que tivesse participado de um "achaque" a Nardoni na suposta negociata por uma confissão. Cembranelli ainda disse que o defensor dos Nardoni tem "uma ordem de valores bastante estranha."
A advogada Roselle Soglio, que integra a equipe de defesa, disse que a afirmação do promotor era "uma mentira". Marco Polo Levorin contestou as declarações do protomor e negou que tenha deixado o caso por acreditar na culpa do casal. Em entrevista por telefone ao Terra na noite desta sexta-feira, ele foi lacônico e se limitou a repetir por duas vezes "não abandonei o caso por conta da culpa do casal".
O caso
Isabella tinha 5 anos quando foi encontrada ferida no jardim do prédio onde moravam o pai, Alexandre Nardoni, e a madrasta, Anna Carolina Jatobá, na zona norte de São Paulo, em 29 de março de 2008. Segundo a polícia, ela foi agredida, asfixiada, jogada do sexto andar do edifício e morreu após socorro médico. O pai e a madrasta foram os únicos indiciados, mas sempre negaram as acusações e alegam que o crime foi cometido por uma terceira pessoa que invadiu o apartamento.
O júri popular do casal começou em 22 de março e deve durar cinco dias. Pelo crime de homicídio, a pena é de no mínimo 12 anos de prisão, mas a sentença pode passar dos 20 anos com as qualificadoras de homicídio por meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e tentativa de encobrir um crime com outro. Por ter cometido o homicídio contra a própria filha, Alexandre Nardoni pode ter pena superior à de Anna Carolina, caso os dois sejam condenados.
- Redação Terra

Assista agora »

