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 DF: Câmara fará eleições indiretas para governador em 30 dias
19 de março de 2010 18h22 atualizado às 18h45

Claudia Andrade
Direto de Brasília

Após reunião com desembargadores do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), nesta sexta-feira, deputados distritais concluíram pela convocação de eleição indireta para governador em até 30 dias.

O prazo começou a contar ontem, data da publicação da decisão do TRE-DF deferindo o pedido de perda de mandato do governador cassado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM).

"A eleição será feita com base na legislação eleitoral e na Constituição", disse o presidente interino da Câmara Distrital, Cabo Patrício (PT). Ele informou que a mesa diretora da Casa vai se reunir na próxima semana para discutir o processo da eleição indireta e que a Procuradoria da Câmara do DF também será consultada.

O encontro serviu para tirar dúvidas sobre a legislação a ser seguida. Até a decisão do TRE, havia dúvidas se prevaleceria a Constituição Federal ou a Lei Orgânica do DF.

A Constituição prevê a realização de uma nova eleição, no prazo de 30 dias. A Lei Orgânica, por sua vez, estabelece que a vaga deve ser ocupada pelo presidente da Câmara Legislativa, depois pelo vice-presidente e, por fim, pelo presidente do Tribunal de Justiça.

A orientação do presidente em exercício do TRE-DF, João de Assis Mariosi, foi a de que a Constituição fosse seguida. Na quarta-feira, a Câmara Distrital aprovou, em primeiro turno, uma alteração que adapta o texto da Lei Orgânica à Constituição. "Independente da aprovação da emenda da Lei Orgânica, vamos seguir a Constituição", disse o presidente interino.

Questionado sobre a possibilidade de se esperar eventuais recursos apresentados pela defesa do governador cassado, Patrício negou que isso ocorrerá. "Independente do recurso ou não, o prazo começou a contar desde ontem", afirmou.

Apenas no caso de a defesa de Arruda conseguir uma liminar com efeito suspensivo no Tribunal Superior Eleitoral é que o prazo pode ser interrompido. "Mas, por enquanto, o prazo está correndo", disse.

O deputado Milton Barbosa (PSDB) também foi contra a espera de eventuais recursos para se tomar uma decisão. "E se o recurso não sair nos 30 dias, como fica?", afirmou.

Os advogados de Arruda têm até segunda-feira para apresentar recursos tanto no TRE como no TSE. O prazo de três dias também começou a valor ontem, depois da publicação da decisão do Tribunal Regional no Diário de Justiça do DF e da notificação à Câmara Legislativa.

Impeachment
Cabo Patrício afirmou que a tramitação do processo de impeachment terá continuidade, apesar da cassação de Arruda. "Os processos de impeachment e também a autorização para que o governador Arruda seja processado vai continuar correndo normalmente o prazo, até porque pode haver de ele conseguir uma liminar no TSE. Então vamos deixar o prazo correndo pra que o réu não seja beneficiado", afirmou.

O candidato ao cargo de Arruda, na opinião do petista Paulo Tadeu, deverá ter o compromisso de não utilizar o tempo que estiver no comando do DF para "cacifar" uma eventual candidatura à reeleição.

"Se a Câmara errar na escolha, vai dar um passo decisivo para a intervenção", disse o parlamentar. Ele defendeu que a sociedade civil acompanhe o processo de escolha do novo governador, que, no entanto, ficará restrito aos 24 deputados distritais.

"É preciso que não só os deputados, mas também a sociedade civil participe desse momento, para que o compromisso seja com a sociedade e não só com os parlamentares", disse.

Redação Terra