Cadu esconde o rosto na chegada para depoimento, em Foz do Iguaçu (PR)
Foto: Kiko Sierich/Especial para Terra
Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, 25 anos, o Cadu, suspeito de matar no dia 11, uma quinta-feira, o cartunista Glauco Vilas Boas, 53 anos, e seu filho Raoni, 25 anos, disse à polícia que que pretendia sequestrar a viúva do cartunista, Beatriz Galvão, após voltar do Paraguai. O suspeito foi preso em Foz do Iguaçu, na fronteira com o país vizinho, após tiroteio com a Polícia Federal (PF), no domingo à noite. Ele disse que seu objetivo era cumprir o "desejo" de esclarecer, por meio de um líder religioso, quem foi seu irmão, Carlos Augusto, 22 anos, em outras encarnações. Nunes acreditava que o irmão é "o Cristo encarnado". As informações são do jornal Folha de S.Paulo.
Segundo a reportagem, outro líder da igreja Céu de Maria (fundada e dirigida por Glauco), conhecido como Alfredo, também era possível alvo de sequestro. O advogado do suspeito, Gustavo Badaró, diz que o plano reforça a versão de que Nunes não tinha a intenção de matar quando foi à casa do cartunista, ou seja, não planejou o crime.
Entenda o caso
O cartunista e seu filho, Raoni Villas Boas, 25 anos, foram mortos na madrugada de sexta-feira, dia 12 de março, com quatro tiros cada, na residência da família, em Osasco (SP). Os dois chegaram a ser levados para o Hospital Albert Sabin, mas não resistiram aos ferimentos.
Glauco começou sua trajetória como cartunista nos anos 70, no Diário da Manhã, de Ribeirão Preto (SP). Ele publicou suas tiras também na Folha de S.Paulo e na revista Chiclete com Banana. O cartunista é famoso por ter criado personagens como Geraldão, Casal Neuras, Doy Jorge, Dona Marta e Zé do Apocalipse.
Na casa de Glauco, eram realizados cultos da Igreja Céu de Maria, que segue a filosofia do Santo Daime, prática religiosa cristã, ecumênica, que repudia todas as formas de intolerância religiosa. Os seguidores tomam o chá conhecido por esse nome. Para eles, a bebida amplia a capacidade perceptiva, criativa, cognitiva e de discernimento, elevando a consciência do ser humano.
- Redação Terra












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