- Laryssa Borges
- Direto de Brasília
Após o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, ter encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedido de intervenção nos poderes Executivo e Legislativo do Distrito Federal, o governador interino, Wilson Lima, se reuniu nesta quinta-feira com o presidente do STF, Gilmar Mendes.
Apesar de estar acompanhado do consultor jurídico do governo do Distrito Federal, Eduardo Roriz, e do procurador-geral do DF, Marcelo Galvão, Lima disse que se tratava de uma "visita institucional".
Na última terça, Roberto Gurgel encaminhou ao STF parecer em que reitera a necessidade de intervenção federal no DF. No documento, o chefe do Ministério Público justifica o pedido "pela gravidade da situação vivenciada no Distrito Federal, bastante peculiar e distinta".
"Os fatos que serviram de fundamento à prisão preventiva do governador, cuja higidez foi afirmada pelo Supremo Tribunal Federal ao rechaçar o recente pedido de habeas-corpus, e tantos outros evidenciam os contornos absolutamente singulares da situação de anormalidade institucional do Distrito Federal. Assim, entre os vários ardis utilizados pela organização criminosa, soma-se à manobra para corromper testemunha a interferência indevida do governador em investigação conduzida pelo Ministério Público e executada pela Polícia Civil", afirmou Gurgel.
Preso desde o dia 11 de fevereiro por suspeita de corrupção de testemunhas e por supostamente utilizar a máquina pública para impedir a tramitação de processos de afastamento, José Roberto Arruda também teve o mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) por infidelidade partidária. Ele deixou o partido DEM às vésperas de ser expulso pela agremiação.
Entenda o caso
O mensalão do governo do DF, cujos vídeos foram divulgados no final do ano passado, é resultado das investigações da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. O esquema de desvio de recursos públicos envolvia empresas de tecnologia para o pagamento de propina a deputados da base aliada.
O governador José Roberto Arruda aparece em um dos vídeos recebendo maços de dinheiro. As imagens foram gravadas pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, que, na condição de réu em 37 processos, denunciou o esquema por conta da delação premiada. Em pronunciamento oficial, Arruda afirmou que os recursos recebidos durante a campanha foram "regularmente registrados e contabilizados".
As investigações da Operação Caixa de Pandora apontam indícios de que Arruda, assessores, deputados e empresários podem ter cometido os crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva e ativa, fraude em licitação, crime eleitoral e crime tributário.
- Redação Terra

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