Moradores do Rio começaram a semana enfrentando os reflexos e contando os prejuízos do temporal na noite de domingo. A Defesa Civil Municipal recebeu 186 chamados, a maioria por imóveis com rachaduras, desabamentos parciais e deslizamentos de encostas. A cidade está em estado de atenção, com previsão de mais chuva forte. Com a tempestade, pelo menos 15 bairros da capital ficaram sem água e luz.
Em Niterói e São Gonçalo, foram 11. Os raios também assustaram a população: 715 caíram só na capital fluminense nas seis horas de chuva. No estado, foram 6.554. Bombeiros atenderam a 22 chamados para cortes e quedas de árvores na cidade. Uma estudante morreu ao ser atingida por galho na cabeça, em Barra Mansa, no Sul Fluminense, e, em Inhaúma, Zona Norte do Rio, uma mulher sumiu ao enfrentar enchente a caminho de casa.
A estudante Carolina Machado de Mattos, 21 anos, foi enterrada na segunda-feira no Cemitério Portal da Saudade, em Barra Mansa. Ela havia se abrigado do temporal sob uma árvore às margens da Via Dutra e sofreu traumatismo craniano ao ser atingida pelo galho. Carolina estava na garupa da motocicleta do namorado, viajando para Resende, quando pediu para parar por causa da chuva.
Moradora da Travessa Everest, comunidade carente às margens do Rio Faria Timbó, em Inhaúma, a auxiliar de produção Elisângela Ramos Benevides, 30, desapareceu às 18h de domingo. A família suspeita que ela tenha caído num bueiro encoberto pela cheia do rio, que inundou a região. Elisângela voltava da praia com três primos e o filho de 4 anos quando ligou para a família para saber se poderia ir para casa em segurança.
"Ela telefonou para uma tia, soube que sua casa estava inundada e se desesperou. Resolveu deixar as crianças na estação do metrô e veio para a comunidade debaixo de chuva para ajudar a salvar os móveis¿, contou o ajudante de pedreiro Fabiano Benevides, 26. Pouco depois dos telefonemas, uma testemunha viu uma mulher cair no bueiro, na Av. Itaoca, provável trajeto de Elisângela do metrô até sua casa. Dois corpos foram resgatados na região, mas até o fim da noite não tinham sido reconhecidos no IML.
Na segunda-feira, o prefeito Eduardo Paes reconheceu que a chuva de domingo não justificava tantos alagamentos no Rio. "Onde choveu há problemas estruturais que nós temos que resolver", disse. Segundo a Defesa Civil, os bairros mais afetados pela chuva no domingo foram Ilha do Governador (102,4 mm); Madureira (87,8 mm) e Cachambi (87 mm).
Segundo o Inmet, a previsão é de mais chuva forte para terça-feira e wuarta-feira, com queda de temperatura. A incidência de raios, outra preocupação em tempestades, cresceu 157,2% em relação ao mesmo período de 2009, que registrou 802 raios nos primeiros 15 dias de março, disse o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O engenheiro elétrico Osmar Pinto Júnior, do Inpe, explicou que o crescimento de casos tem ligação direta com o verão e o fenômeno El Niño, que mantém as águas dos oceanos Atlântico e Pacífico mais quentes, favorecendo formação de tempestades elétricas.
A chuva também causou estragos em hospitais. A emergência do Geral de Bonsucesso continuou fechada na segunda-feira. O teto desabou no domingo e, mesmo com o conserto, o setor só será reaberto após a vistoria da Defesa Civil, marcada para hoje. Os 60 pacientes da emergência foram removidos para enfermarias.
Nove alunos e mãe ficam feridos em escola
Nove alunos de 14 e 15 anos e uma mãe ficaram feridos na queda da marquise da Escola Municipal Wilson de Oliveira Simões, em Duque de Caxias. A velha estrutura de madeira não suportou o temporal e caiu às 12h de segunda-feira, horário da saída dos alunos. Socorridos por moradores, eles foram levados a três hospitais na região, com cortes, luxações e escoriações.
"Estava entrando na escola para buscar minha filha, quando senti um peso enorme na cabeça. Fiquei desorientada", disse a diarista Iolanda Ferreira da Silva, 42, que sofreu um corte profundo. Segundo vizinhos, o telhado estava frágil e não era reformado há anos. A prefeitura alega que nunca recebeu denúncia de que a cobertura estivesse apodrecida.
Quedas de árvores destroem casas
A queda de uma árvore de 25m destruiu três casas na esquina das ruas Paranhos e Antônio Rêgo, em Olaria. Oito moradores ficaram desabrigados. O despachante Ricardo Salgado, 53, a mulher e o filho passaram a noite na rua: ¿Levamos um susto e corremos, com medo de a casa desabar sobre nossas cabeças¿. A Defesa Civil interditou as moradias. Outras quatro árvores despencaram, prejudicando o trânsito na Rua Sacadura Cabral, na Saúde; Praia de Botafogo; na Av. Atlântica, Copacabana, e na R. Aurelino Leal, no Leme, onde um poste foi derrubado. Em Santa Teresa, mais um tombou sobre o muro da casa 533, na R. Cândido Mendes. Faltou luz e o trânsito ficou impedido para ônibus e caminhões.

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