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 Assessor de Lula: País não é ONG para tratar com dissidentes
12 de março de 2010 19h42 atualizado às 21h38

O assessor Marco Aurélio Garcia concedeu entrevista em São Paulo. Foto: EFE

O assessor Marco Aurélio Garcia concedeu entrevista em São Paulo
Foto: EFE

O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, afirmou nesta sexta-feira que "o governo brasileiro não é uma ONG" para se relacionar com os dissidentes do regime cubano.

As declarações foram feitas durante uma coletiva em São Paulo, como uma resposta a questionamentos sobre os motivos que levaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a não abordar publicamente a questão dos direitos humanos durante sua visita a Cuba, no último dia 24 de fevereiro.

"Nós nos relacionamos com o governo de Cuba, com o governo da Colômbia... não nos relacionamos com dissidentes nem em Cuba nem em outros lugares", disse. "O governo brasileiro não é uma ONG, encara a questão de maneira responsável, e essa forma de tratamento tem ônus e tem bônus."

Comentário lateral
Garcia ainda minimizou as declarações que o presidente Lula deu à agência de notícias Associated Press, quando afirmou que a greve de fome - forma de protesto tem sido utilizada por diversos dissidentes cubanos - "não pode ser usada como um pretexto de direitos humanos para libertar as pessoas".

Na mesma ocasião, Lula afirmou "respeitar a determinação da Justiça e do governo cubano de deter pessoas". As afirmações do presidente geraram polêmica e foram criticadas por entidades como a OAB, que as classificou como "despropositadas".

Para Garcia, o comentário do presidente foi "lateral" e "não reflete de maneira nenhuma a posição que o Brasil tem em relação a Cuba e aos direitos humanos". "Eu entendo que os jornais tenham aproveitado isso para fazer ilações que não têm nenhuma procedência", disse.

Segundo o assessor da Presidência, o Brasil procura tratar a questão dos direitos humanos em Cuba com "discrição" e que qualquer manifestação pública a respeito seria "inócua e contraproducente".

"A questão é complicada e aqueles que querem dialogar com os cubanos na base de exigências quebram a cara. As negociações devem ser feitas em outras bases, de caráter discreto", disse.

BBC Brasil
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