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 PF diz que Arruda e advogados já tiveram conversa reservada
12 de março de 2010 12h29

A Polícia Federal (PF) desmentiu nesta sexta-feira o advogado do governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (ex-DEM, sem partido). Ao contrário do que disse Nélio Machado, Arruda teve mais de um encontro reservado com seus advogados, conforme a PF. As informações são da Agência Brasil.

Na quinta-feira, Machado denunciou à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que o delegado Marcos Ferreira estaria dificultando as reuniões privadas com seu cliente. Mas, segundo a PF, não há oficiais interferindo ou escutando as conversas.

Quanto ao fato de o delegado manter a porta da cela aberta durante os encontros, outra reclamação de Machado, a PF argumenta que é apenas um procedimento de segurança adotado para seguir as instruções da Justiça, de evitar qualquer comunicação externa pelo governador.

O advogado e ex-vice-presidente da OAB em Brasília Ibaneis Rocha explica que, de acordo com a lei, o tipo de ambiente solicitado por Machado "é como um confessionário: um ambiente que garanta que cliente e advogado possam conversar sem serem escutados, independentemente de haver portas abertas. Eles precisam ter privacidade para que o cliente possa contar tudo e a defesa possa montar sua estratégia".

Entenda o caso

O mensalão do governo do DF, cujos vídeos foram divulgados no final do ano passado, é resultado das investigações da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. O esquema de desvio de recursos públicos envolvia empresas de tecnologia para o pagamento de propina a deputados da base aliada.

O governador José Roberto Arruda aparece em um dos vídeos recebendo maços de dinheiro. As imagens foram gravadas pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, que, na condição de réu em 37 processos, denunciou o esquema por conta da delação premiada. Em pronunciamento oficial, Arruda afirmou que os recursos recebidos durante a campanha foram "regularmente registrados e contabilizados".

As investigações da Operação Caixa de Pandora apontam indícios de que Arruda, assessores, deputados e empresários podem ter cometido os crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva e ativa, fraude em licitação, crime eleitoral e crime tributário.

Agência Brasil