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 DEM expulsa suplente preso por suborno no DF
11 de março de 2010 19h25

Claudia Andrade
Direto de Brasília

O partido dos Democratas expulsou nesta quinta-feira o ex-deputado Geraldo Naves. Naves está preso desde o dia 13 de fevereiro no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. A prisão foi determinada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob a acusação de corrupção de testemunha no inquérito que apura suposto esquema de pagamento de propina no governo do Distrito Federal.

Mesmo preso, Naves tem direito a uma vaga na Câmara Legislativa do DF, por ser suplente de Júnior Brunelli (PSC), que renunciou ao mandato para se livrar de um processo por quebra de decoro parlamentar, que poderia levar à cassação. A expulsão ocorreu exatamente para evitar que ele assumisse a vaga representando o partido, como explicou o deputado federal Antônio Carlos Magalhães Neto.

"Já havia um processo aberto contra ele e, com o risco de ele assumir o mandato, não teria como o DEM sustentar o mandato de um filiado preso. Por isso, preferimos nos antecipar, para não correr esse risco", disse Antônio Carlos Magalhães Neto.

O parlamentar mandou uma notificação para Naves na prisão. Ele agora espera que o suplente não assuma a vaga na Câmara Legislativa. "É lamentável que ele possa assumir, prefiro crer que essa posse não se concretizará".

Na avaliação da presidência da Câmara Legislativa, Naves tem direito à vaga mesmo expulso do partido. Ontem, a procuradoria da Casa emitiu parecer reafirmando o direito de Naves à vaga, mesmo preso. Caso ele não assuma a vaga, o segundo suplente é Washington Mesquita (DEM). O prazo para que Naves tome posse é de 30 dias.

Entenda o caso
O mensalão do governo do DF, cujos vídeos foram divulgados no final do ano passado, é resultado das investigações da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. O esquema de desvio de recursos públicos envolvia empresas de tecnologia para o pagamento de propina a deputados da base aliada.

O governador José Roberto Arruda aparece em um dos vídeos recebendo maços de dinheiro. As imagens foram gravadas pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, que, na condição de réu em 37 processos, denunciou o esquema por conta da delação premiada. Em pronunciamento oficial, Arruda afirmou que os recursos recebidos durante a campanha foram "regularmente registrados e contabilizados".

As investigações da Operação Caixa de Pandora apontam indícios de que Arruda, assessores, deputados e empresários podem ter cometido os crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva e ativa, fraude em licitação, crime eleitoral e crime tributário.

Redação Terra