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 Defesa de Arruda reclama de abuso de poder e por privacidade
11 de março de 2010 14h39 atualizado às 14h48

Nélio Machado, advogado de Arruda, enviou reclamação à OAB. Foto: Pedro Pantoja/Futura Press

Nélio Machado, advogado de Arruda, enviou reclamação à OAB
Foto: Pedro Pantoja/Futura Press

Claudia Andrade
Direto de Brasília

O advogado Nélio Machado saiu irritado da superintendência da Polícia Federal, no início da tarde desta quinta-feira, depois de uma rápida visita ao seu cliente, o governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM). Machado reclamou por não ter conseguido falar reservadamente com Arruda e disse que foi vítima de abuso de poder.

"Estou me retirando sob protesto porque estou impedido de falar com o meu cliente de forma pessoal e reservada. É um abuso de poder do delegado. Estou indo ao Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) dar conhecimento deste fato e farei chegar ao presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e Supremo Tribunal Federal (STF) o tratamento abusivo, ilegal e inconstitucional que estão deferindo ao governador. Não vou falar com ele nessas condições", afirmou.

O delegado responsável pela segurança no local em que Arruda está preso é Marcos Ferreira. De acordo com a assessoria de imprensa da Polícia Federal, os procedimentos de segurança exigem que a porta não fique fechada durante a visita de advogados. A ideia é que os policiais tenham controle da situação.

"Da última vez o delegado já tinha aceitado, mediante reclamação minha, que a porta ficasse encostada. Hoje nós procedemos dessa forma, veio o delegado, com cara de mau, eu não tenho medo de cara de mau, de ilegalidade ou de abuso de poder e é contra isso que eu vou representar".

No início desta semana, a defesa de Arruda entrou com uma petição no STJ pedindo autorização para que um médico particular visitasse o governador preso. Havia também uma solicitação para que os advogados pudessem conversar reservadamente com Arruda. O ministro Fernando Gonçalves autorizou a visita do médico pessoal, mas pediu um parecer do Ministério Público a respeito da visita reservada dos advogados.

"Eu não creio que o Ministério Público, que é fiscal da lei, seja capaz de dizer que o advogado não possa falar reservadamente com seu cliente", disse o advogado.

Nélio Machado também negou que o estado de saúde de Arruda esteja sendo utilizado como manobra por sua defesa. "Eu repilo insinuações que tenho ouvido de que a defesa manobra com exames médicos: eu luto em favor da saúde do meu cliente; prefiro ele preso saudável do que hospitalizado e doente. A Polícia Federal é que chamou um medico porque ele passou mal. O que eles querem: linchar em praça pública? Eles querem deixar o governador em uma depressão que não permita que ele volte a ser um cidadão normal?".

Na última segunda-feira, Arruda foi levado escoltado ao hospital JK, no setor sudoeste de Brasília, para realizar exames, por orientação dos médicos da PF que o atendem desde o dia da prisão, 11 de fevereiro. Arruda queixou-se de dores no pé direito, que apresentava inchaço.

Seu médico particular, Brasil Caiado, após a autorização do STJ, pediu novos exames para determinar qual o quadro real da saúde do governador. Exames de sangue e urina já apontaram resultados normais. Ainda nesta quinta, Arruda deverá deixar novamente a PF para ser submetido a um exame de ressonância magnética.

Entenda o caso

O mensalão do governo do DF, cujos vídeos foram divulgados no final do ano passado, é resultado das investigações da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. O esquema de desvio de recursos públicos envolvia empresas de tecnologia para o pagamento de propina a deputados da base aliada.

O governador José Roberto Arruda aparece em um dos vídeos recebendo maços de dinheiro. As imagens foram gravadas pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, que, na condição de réu em 37 processos, denunciou o esquema por conta da delação premiada. Em pronunciamento oficial, Arruda afirmou que os recursos recebidos durante a campanha foram "regularmente registrados e contabilizados".

As investigações da Operação Caixa de Pandora apontam indícios de que Arruda, assessores, deputados e empresários podem ter cometido os crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva e ativa, fraude em licitação, crime eleitoral e crime tributário.

Redação Terra