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 DF: petista será relatora de processo contra "deputada da bolsa"
03 de março de 2010 17h24 atualizado às 17h36

A deputada Erika Kokay (PT), presidente em exercício da Comissão de Ética, foi escolhida nesta quarta-feira como a relatora do processo que tramita na Câmara Legislativa do Distrito Federal (DF) contra a deputada Eurides Brito (PMDB), acusada de quebra de decoro parlamentar em virtude das gravações divulgadas na Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal (PF), que investiga um suposto esquema de corrupção no DF. Em um vídeo entregue à PF, Eurides aparece recebendo dinheiro de parlamentares e o guardando dentro da bolsa.

Também concorreram à relatoria os deputados Batista das Cooperativas (PRP) e Aguinaldo de Jesus (PRB), que tomou posse hoje na Comissão de Ética, na vaga deixa pelo suplente Bispo Renato (PR), que deixou a Câmara. Erika disse que os deputados Raimundo Ribeiro (PSDB) e Alírio Neto (PPS) informaram que não estavam interessados em assumir aquela relatoria.

Erika disse que Eurides Brito, notificada ontem, tem prazo de 30 dias corridos, a vencer em 1º de abril, para apresentar a sua defesa à Comissão de Ética. Depois disso, a relatora terá um prazo de cinco sessões ordinárias para apresentar o seu parecer. "Caso a Comissão vote pela cassação da parlamentar, o processo seguirá para a Comissão de Constituição e Justiça, antes de ir ao Plenário", disse. Para aprovar a eventual cassação são necessários 13 votos.

Depoimentos
A petista anunciou que pretende "convidar" para prestar depoimento à Comissão o ex-secretário Durval Barbosa e também o ex-governador Roriz. Ela disse que a Comissão só tem prerrogativa para convocar servidores públicos. Disse também que a deputada Eurides Brito poderá sugerir diligências e testemunhas, mas que caberá à Comissão definir quem será ouvido nas investigações.

Erika afirmou que a Comissão de Ética já tem as peças do inquérito que servirão de base nas investigações, mas que solicitará o apoio de todas as entidades envolvidas na apuração a fim de realizar uma "apuração rigorosa e justa".

Entenda o caso
O mensalão do governo do DF, cujos vídeos foram divulgados no final do ano passado, é resultado das investigações da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. O esquema de desvio de recursos públicos envolvia empresas de tecnologia para o pagamento de propina a deputados da base aliada.

O governador José Roberto Arruda aparece em um dos vídeos recebendo maços de dinheiro. As imagens foram gravadas pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, que, na condição de réu em 37 processos, denunciou o esquema por conta da delação premiada. Em pronunciamento oficial, Arruda afirmou que os recursos recebidos durante a campanha foram "regularmente registrados e contabilizados".

As investigações da Operação Caixa de Pandora apontam indícios de que Arruda, assessores, deputados e empresários podem ter cometido os crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva e ativa, fraude em licitação, crime eleitoral e crime tributário.

Redação Terra