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 Lula termina visita a Cuba e segue para Haiti
25 de fevereiro de 2010 14h21 atualizado às 18h39

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajou hoje de Havana rumo ao Haiti, após uma visita a Cuba na qual assinou acordos bilaterais e se reuniu com os irmãos Raúl e Fidel Castro.

Fontes da embaixada brasileira em Cuba disseram à Agência Efe que Lula deixou o país por volta das 10h local (12h de Brasília) rumo a Porto Príncipe, ao final de uma visita marcada pela morte do preso político cubano Orlando Zapata Tamayo.

O Ministério de Exteriores cubano cancelou ontem em cima da hora, sem dar explicações, a coletiva de imprensa estrangeira credenciada em Havana para que cobrisse a despedida de Lula no aeroporto.

Lula se reuniu com o primeiro-secretário do Partido Comunista de Cuba, o ex-presidente Fidel Castro, a quem considera "velho amigo", para se despedir como presidente, pois este é o último ano de Lula no poder.

Segundo a imprensa oficial, os dois "discutiram bastante sobre vários grandes temas, em particular a 15ª Conferência Internacional sobre Mudança Climática, realizada em Copenhague em dezembro passado".

Além disso, falaram também sobre os resultados da recente cúpula da América Latina e do Caribe realizada em Cancún, México.

Fontes oficiais dos dois países distribuíram várias fotos do encontro, do qual também participou o presidente cubano, Raúl Castro, e nas quais os três líderes aparecem no jardim de uma mansão em Havana.

Lula e Raúl Castro assinaram no Palácio da Revolução de Havana vários acordos bilaterais em áreas como saúde, infraestrutura, comunicações, comércio e produção agrícola.

Um dos acordos inclui a associação econômica de empresas cubanas e brasileiras para as obras do Porto de Mariel, que visitaram na quarta-feira. Para o porto, o Brasil já se comprometeu com investimentos que poderiam chegar, segundo fontes oficiais, a US$ 500 milhões.

Durante uma caminhada pelo Porto de Mariel, à qual não foi permitido o acesso da imprensa estrangeira credenciada em Cuba, os dois líderes lamentaram a morte do dissidente Zapata Tamayo, que marcou a visita de Lula.

Zapata Tamayo, pedreiro de 37 anos preso desde 2003, morreu na terça-feira após uma greve de fome de 85 dias para pedir tratamento de "prisioneiro de consciência", status ao qual é reconhecido pela Anistia Internacional. Ele foi enterrado hoje de manhã em Banes, sua cidade natal, no Leste do país.

Vários presos políticos cubanos pediram a Lula no fim de semana passado, em carta aberta, que intercedesse por sua libertação, e em particular pela de Zapata, mas ele disse à imprensa brasileira que não recebeu "nenhuma carta".

Lula chegou a Havana na terça-feira, procedente do México. Depois do Haiti, viajará para El Salvador.

EFE
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