A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que vai investigar o suposto esquema de corrupção no governo do Distrito Federal se reunirá nessa terça-feira na tentativa de eleger um novo presidente. A convocação foi feita pelo vice-presidente da comissão, o deputado Batista das Cooperativas (PRP). O cargo está vago desde o dia 26 de janeiro, quando renunciou Alírio Neto (PPS).
Para que a eleição do novo presidente ocorra, é necessária a indicação do substituto para a vaga aberta com a saída da deputada Eliana Pedrosa (DEM), no final do mês passado. Em último caso, o nome deverá ser indicado pelo presidente da Câmara, Wilson Lima (PR).
O deputado Raad Massouh (DEM) passou a integrar nesta segunda-feira a CPI, no lugar do segundo suplente Geraldo Naves (DEM), que deixou, na última sexta-feira, a comissão e a presidência da Comissão de Constituição de Justiça (CCJ), responsável pela análise dos pedidos de impeachment contra o governador José Roberto Arruda (sem partido) acusado de chefiar o suposto esquema de corrupção.
Geraldo Naves anunciou sua saída horas depois de confirmar que entregou ao jornalista Edmilson Edson dos Santos, conhecido como Edson Sombra, um bilhete escrito por Arruda. Sombra apresentou o bilhete à Polícia Federal (PF) como prova de que vinha sendo pressionado para mudar seu depoimento sobre o suposto esquema de pagamento de propina no governo do Distrito Federal e na Câmara Legislativa.
Naves negou que o bilhete faça parte de uma tentativa de suborno. Segundo o deputado distrital, o recado do governador tinha o objetivo de tranquilizar o jornalista, que, segundo ele, temia que houvesse redução de anúncios publicitários e patrocínio para seu jornal por causa do escândalo revelado pelo ex-secretário de Relações Institucionais do Distrito Federal Durval Barbosa.
A denúncia de tentativa de suborno levou Rodrigo Diniz Arantes a pedir desligamento do cargo de secretário particular de Arruda, de quem é sobrinho. Arantes foi apontado por Antonio Bento como articular da ação. Membro do Conselho Fiscal do Metrô há quatro anos e funcionário no jornal de Sombra, Bento foi preso na última quinta-feira, quando tentava entregar R$ 200 mil ao jornalista. Ele seria um emissário de Arruda para tentar subornar a testemunha.
"Meu nome foi citado indevida e maldosamente pelo senhor Antônio Bento da Silva numa história fantasiosa e absurda, construída como parte da farsa arquitetada contra o governador José Roberto Arruda", diz a nota divulgada por Rodrigo Arantes.
Os advogados de Arruda negam o envolvimento do governador na tentativa de suborno.
Entenda o caso
O mensalão do governo do DF, cujos vídeos foram divulgados no final do ano passado, é resultado das investigações da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. O esquema de desvio de recursos públicos envolvia empresas de tecnologia para o pagamento de propina a deputados da base aliada.
O governador José Roberto Arruda aparece em um dos vídeos recebendo maços de dinheiro. As imagens foram gravadas pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, que, na condição de réu em 37 processos, denunciou o esquema por conta da delação premiada. Em pronunciamento oficial, Arruda afirmou que os recursos recebidos durante a campanha foram "regularmente registrados e contabilizados".
As investigações da Operação Caixa de Pandora apontam indícios de que Arruda, assessores, deputados e empresários podem ter cometido os crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva e ativa, fraude em licitação, crime eleitoral e crime tributário.
Com informações da Agência Brasil
- Agência Brasil

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