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Alemanha encerra acordo nuclear com o Brasil

19 de novembro de 2004 08h07

O programa nuclear brasileiro perdeu seu aliado mais tradicional, a Alemanha, que anunciou o fim de 30 anos de parceria e propôs ao Brasil que se concentre na exploração de recursos energéticos renováveis.

O custo e a segurança do programa nuclear brasileiro despertam preocupações internacionais, especialmente depois que inspetores da Organização das Nações Unidas (ONU) tiveram acesso restrito à instalação nuclear de Resende, no Rio de Janeiro, já que o Brasil teme espionagem industrial.

Diante da pressão do seu Partido Verde, o ministro alemão das Relações Exteriores, Joschka Fischer, disse que o acordo nuclear brasileiro era incompatível com a meta alemã de se livrar da energia atômica até 2025.

"Na Alemanha temos uma política de abandonar gradualmente (a energia nuclear), e isto está avançando para as nossas relações internacionais", disse Fischer a jornalistas na quinta-feira, durante visita ao Brasil.

O Brasil aceitou encerrar o acordo quando ele expirar, no final do ano, e convertê-lo em um pacto de cooperação para a produção de energia solar, eólica, com etanol, biodiesel e outras fontes, segundo diplomatas brasileiros.

Mas, segundo o chanceler Celso Amorim, o Brasil não pretende abandonar a energia nuclear ¿ pelo contrário. O país busca empresas que invistam para completar a construção da usina de Angra-3, parada há 30 anos.

Também é possível que seja ampliada a produção de combustível nuclear para uso doméstico. "O Brasil tem planos concretos para continuar usando a energia nuclear", disse Amorim após os comentários de Fischer.

O acordo nuclear entre Brasil e Alemanha começou em 1975, com a perspectiva da construção de oito usinas. Devido aos custos elevados e às crises econômicas recorrentes, só duas delas saíram do papel.

O Brasil recebe 90% da sua energia de usinas hidrelétricas. Segundo analistas, seria preciso triplicar a produção de energia para que o País chegue a ser uma potência global.

Amorim minimizou o fim do acordo nuclear com a Alemanha, dizendo que ele cumpriu seus objetivos. "Nosso programa de enriquecimento de urânio é totalmente autônomo, não depende desta cooperação externa", afirmou.

Enquanto Fischer se reunia com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, manifestantes do Greenpeace levaram barris de petróleo com o símbolo da radiação para a frente do Palácio do Planalto.

"Ao invés de jogar mais bilhões de dólares pelo ralo nuclear, o Brasil deveria aproveitar esta oportunidade para promover a energia sustentável", disse o ativista Sergio Dialetachi.

Reuters
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