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 Presos em SP suspeitos de aplicar golpe 'Boa Noite Cinderela'
31 de janeiro de 2010 14h59 atualizado às 19h33

Grupo dopava vítimas escolhidas em bares de São Paulo. Foto: Peter Fussy/Terra

Grupo dopava vítimas escolhidas em bares de São Paulo
Foto: Peter Fussy/Terra

Peter Fussy
Direto de São Paulo

Três pessoas foram detidas na manhã deste domingo em São Paulo acusadas de formarem um grupo que teria aplicado o golpe conhecido como "Boa Noite Cinderela" em pelo menos 12 homens. Segundo informações da Polícia Civil, o jovem Werechyson Correa de Souza, que completou 25 anos neste domingo, é acusado de ser o líder do bando que contava com pelo menos mais cinco mulheres, responsáveis por seduzir homens em bares da zona oeste e norte da capital paulista. Duas vítimas teriam morrido em decorrência de doses muito fortes da droga utilizada no golpe.

A cabeleireira Antônia da Silva Anchieta, 38 anos, e a técnica em enfermagem Fabiana Cristina Madureira, 34 anos, também foram detidas neste domingo acusadas de participarem dos crimes. Segundo policiais civis, mais quatro mulheres estão foragidas, mas acredita-se que elas voltaram para o Maranhão, de onde o grupo saiu há cerca de seis meses para aplicar o golpe em São Paulo. De acordo com o delegado Massilon Bernardes, titular Divisão de Investigações Gerais, as mulheres seduziam homens sozinhos em bares e colocavam medicamentos como Rivotril - utilizado em pessoas com epilepsia - na bebida para dopá-los.

"Depois de colocar a droga na bebida, as mulheres convidavam as vítimas a irem a um lugar mais reservado. Já no caminho, o remédio começava a fazer efeito e elas conseguiam arrancar deles as senhas dos cartões. Em seguida eram realizados saques em terminais automáticos, compras e até empréstimos consignados", afirmou o delegado. Werechyson seria também o responsável por comprar os remédios controlados, com prescrições assinadas por um médico major do Exército Brasileiro. A Polícia ainda investiga se o médico seria também vítima do grupo ou tinha participação nos crimes.

Segundo o delegado Vladimir Constantino Oliveira, um dos responsáveis pela investigação, o grupo escolhia homens em geral acima de 40 anos, principalmente desacompanhados em bares da Vila Madalena, Lapa, Pinheiros, Casa Verde, Limão e Santana. Uma das vítimas teria morrido de overdose em um hotel do centro e outra cerca de 20 dias depois de ter sofrido o golpe, ainda em decorrência da alta dosagem do medicamento, de acordo com os policiais. Doze vítimas já fieram o reconhecimento dos autores por meio de foto, mas a Polícia aguarda mais 12 possíveis vítimas a fazer o reconhecimento.

Conforme afirmou o delegado Bernardes, as investigações ocorriam desde outubro, depois que a Polícia conseguiu rastrear uma transferência da conta bancária de uma das vítimas para a de Werechyson, por meio da internet. A detenção dos suspeitos foi antecipada para este domingo, já que policiais tinham informações de que o líder do grupo pretendia tirar um passaporte falso para continuar o golpe na Europa.

Com os três detidos neste domingo, foram apreendidos diversos cartões bancários, carteiras de motorista, remédios controlados e celulares. Os acusados estão detidos no Departamento de Investigações sobre Crime Organizado (Deic) e responderão por estelionato, roubo, latrocínio e formação de quadrilha ou bando. Mais quatro mulheres estão foragidas, uma delas já tem passagem por tráfico de drogas.

Redação Terra