- Laryssa Borges
- Direto de Brasília
Às vésperas do término da convocação extraordinária da Câmara Legislativa do Distrito Federal, os parlamentares podem terminar o período de trabalhos sem nenhum efeito prático. Aprovada para a partir de 11 de janeiro dar continuação às investigações das denúncias de corrupção no governo José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM) e de compra de apoio de deputados distritais, a convocação não permitiu sequer a escolha do presidente da comissão parlamentar de inquérito (CPI) sobre o caso e da composição da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), responsável por analisar os processos de impeachment que tramitam na Casa.
Nesta quinta-feira, mais um integrante da CPI, a deputada Eliana Pedrosa (DEM), pediu para deixar a comissão de inquérito. A atitude dela reflete um protesto contra a decisão do líder do DEM, Geraldo Naves, de tirá-la da titularidade da CCJ e da comissão especial, instâncias que analisarão as solicitações de afastamento do governador.
A parlamentar justificou o desligamento em cumprimento ao príncipio da proporcionalidade. "Para não haver questionamentos quanto ao resultado da CPI, é melhor que não haja dois deputados do DEM", disse Eliana. Ela foi secretária de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda do governo Arrudae retomou o mandato no momento em que se instalou a crise na capital federal.
Com um cargo vago, a CPI não pôde eleger seu presidente e tampouco iniciar seus trabalhos. Uma última tentativa antes do retorno normal dos trabalhos no Legislativo será feita às 15h desta sexta-feira, quando o presidente da CPI pode ser eleito. Na segunda-feira, recomeça o ano legislativo.
A sessão plenária desta quinta também foi marcada por críticas à imprensa e ao bloco petista. O líder do governo na Câmara Legislativa, deputado Batista das Cooperativas (PRP), condenou o presidente interino da Casa, deputado Cabo Patrício (PT), por cancelar os debates de quarta-feira após afirmar haver denúncia de que os parlamentares poderiam estar sendo subornados com R$ 4 milhões cada um para votarem contra os pedidos de impeachment do governador Arruda. Em decisão unilateral, o presidente interino da Casa encerrou a sessão e reagendou o processo eleitoral para o próximo dia 2 de fevereiro. A denúncia de possível suborno foi veiculada pelo Blog do Noblat e provocou revolta entre os deputados distritais, paralisando mais um dia de trabalho.
Entenda o caso
O mensalão do governo do DF, cujos vídeos foram divulgados no final do ano passado, é resultado das investigações da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. O esquema de desvio de recursos públicos envolvia empresas de tecnologia para o pagamento de propina a deputados da base aliada.
O governador José Roberto Arruda aparece em um dos vídeos recebendo maços de dinheiro. As imagens foram gravadas pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, que, na condição de réu em 37 processos, denunciou o esquema por conta da delação premiada. Em pronunciamento oficial, Arruda afirmou que os recursos recebidos durante a campanha foram "regularmente registrados e contabilizados".
As investigações da Operação Caixa de Pandora apontam indícios de que Arruda, assessores, deputados e empresários podem ter cometido os crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva e ativa, fraude em licitação, crime eleitoral e crime tributário.
Com informações da Agência Brasil.
- Redação Terra


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