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 DF: deputada do DEM deixa CPI; escolha de presidente é adiada
28 de janeiro de 2010 17h23 atualizado às 19h40

Laryssa Borges
Direto de Brasília

Às vésperas do término da convocação extraordinária da Câmara Legislativa do Distrito Federal, os parlamentares podem terminar o período de trabalhos sem nenhum efeito prático. Aprovada para a partir de 11 de janeiro dar continuação às investigações das denúncias de corrupção no governo José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM) e de compra de apoio de deputados distritais, a convocação não permitiu sequer a escolha do presidente da comissão parlamentar de inquérito (CPI) sobre o caso e da composição da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), responsável por analisar os processos de impeachment que tramitam na Casa.

Nesta quinta-feira, mais um integrante da CPI, a deputada Eliana Pedrosa (DEM), pediu para deixar a comissão de inquérito. A atitude dela reflete um protesto contra a decisão do líder do DEM, Geraldo Naves, de tirá-la da titularidade da CCJ e da comissão especial, instâncias que analisarão as solicitações de afastamento do governador.

A parlamentar justificou o desligamento em cumprimento ao príncipio da proporcionalidade. "Para não haver questionamentos quanto ao resultado da CPI, é melhor que não haja dois deputados do DEM", disse Eliana. Ela foi secretária de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda do governo Arrudae retomou o mandato no momento em que se instalou a crise na capital federal.

Com um cargo vago, a CPI não pôde eleger seu presidente e tampouco iniciar seus trabalhos. Uma última tentativa antes do retorno normal dos trabalhos no Legislativo será feita às 15h desta sexta-feira, quando o presidente da CPI pode ser eleito. Na segunda-feira, recomeça o ano legislativo.

A sessão plenária desta quinta também foi marcada por críticas à imprensa e ao bloco petista. O líder do governo na Câmara Legislativa, deputado Batista das Cooperativas (PRP), condenou o presidente interino da Casa, deputado Cabo Patrício (PT), por cancelar os debates de quarta-feira após afirmar haver denúncia de que os parlamentares poderiam estar sendo subornados com R$ 4 milhões cada um para votarem contra os pedidos de impeachment do governador Arruda. Em decisão unilateral, o presidente interino da Casa encerrou a sessão e reagendou o processo eleitoral para o próximo dia 2 de fevereiro. A denúncia de possível suborno foi veiculada pelo Blog do Noblat e provocou revolta entre os deputados distritais, paralisando mais um dia de trabalho.

Entenda o caso
O mensalão do governo do DF, cujos vídeos foram divulgados no final do ano passado, é resultado das investigações da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. O esquema de desvio de recursos públicos envolvia empresas de tecnologia para o pagamento de propina a deputados da base aliada.

O governador José Roberto Arruda aparece em um dos vídeos recebendo maços de dinheiro. As imagens foram gravadas pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, que, na condição de réu em 37 processos, denunciou o esquema por conta da delação premiada. Em pronunciamento oficial, Arruda afirmou que os recursos recebidos durante a campanha foram "regularmente registrados e contabilizados".

As investigações da Operação Caixa de Pandora apontam indícios de que Arruda, assessores, deputados e empresários podem ter cometido os crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva e ativa, fraude em licitação, crime eleitoral e crime tributário.

Com informações da Agência Brasil.

Redação Terra