- Laryssa Borges
- Direto de Brasília
O deputado Geraldo Naves (DEM), aliado do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido - ex-DEM), foi confirmado nesta terça-feira em Plenário como mais um integrante governista na CPI da Corrupção, criada no final do ano passado para investigar irregularidades na gestão de Arruda e de governo anteriores. Naves substituirá o deputado Alírio Neto (PPS), que deixou o bloco parlamentar de sustentação do governo e, com isso, perdeu o direito de compor o colegiado. Com isso, dos cinco componentes da CPI, quatro são da base aliada. Apesar de assumir uma vaga na comissão deixada por Alírio Neto, Naves não é automaticamente o presidente da CPI. A eleição do novo presidente deve ser realizada nos próximos dias.
A vaga, que por conta da proporcionalidade do bloco governista cabe ao PMDB, foi preenchida por Naves. Toda a bancada peemedebista na Câmara Legislativa, formada por três parlamentares, foi citada no inquérito que trata da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal e, para evitar mais desgastes de ter um investigado como integrante da CPI, o PMDB decidiu encaminhar por consenso o nome do aliado democrata.
"Por recomendação do meu partido estamos nos afastando da base do governo. Ele pediu que eu me desligasse de todas as relações com o governo. Cumprindo determinação do meu partido, me desliguei do bloco. Obviamente essa vaga é do PMDB. Sem duvida é de bom senso que seja indicado alguém que não tenha sido citado. A gente entrega, mas espera que o trabalho tenha continuidade", justificou Alírio Neto ao deixar o cargo.
Na última semana, o presidente nacional do PPS, Roberto Freire, informou que Alírio Neto, que chegou a anunciar a extinção da CPI que investigaria irregularidades no governo José Roberto Arruda, teria de explicar ao Conselho de Ética do partido a razão pela qual declarara o fim do grupo de investigação. Na avaliação da legenda, ao se manter no bloco governista e até anunciar a extinção da CPI, Alírio teria violado a orientação de defender da apuração das denúncias sobre o mensalão do DEM no Distrito Federal. Ele já apresentou suas justificativas ao PPS.
Alírio fez a declaração após decisão da Justiça afastar os parlamentares suspeitos de envolvimento com o mensalão dos processos que investigariam Arruda na Câmara. Para os deputados governistas, ao retirar os parlamentares de todo processo que trata das denúncias de corrupção, o Poder Judiciário havia também extinto a comissão de inquérito. No entanto, a Justiça esclareceu que a CPI estava mantida.
Entenda o caso
O mensalão do governo do DF, cujos vídeos foram divulgados no fim de novembro, é resultado das investigações da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. O esquema de desvio de recursos públicos envolvia empresas de tecnologia para o pagamento de propina a deputados da base aliada.
O governador José Roberto Arruda aparece em um dos vídeos recebendo maços de dinheiro. As imagens foram gravadas pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, que, na condição de réu em 37 processos, denunciou o esquema por conta da delação premiada. Em pronunciamento oficial, Arruda afirmou que os recursos recebidos durante a campanha foram "regularmente registrados e contabilizados".
As investigações da Operação Caixa de Pandora apontam indícios de que Arruda, assessores, deputados e empresários podem ter cometido os crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva e ativa, fraude em licitação, crime eleitoral e crime tributário.
- Redação Terra


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