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 Câmara do DF recorre de determinação de afastar Prudente
19 de janeiro de 2010 15h09 atualizado às 16h10

Marina Mello
Direto de Brasília

A Câmara Legislativa do Distrito Federal recorreu, nesta terça-feira, da decisão do juiz da 2ª Vara de Fazenda Pública do DF, que determinou, em liminar, o afastamento imediato do deputado distrital Leonardo Prudente da presidência da Casa na segunda-feira.

Segundo a assessoria de imprensa do TJDF, o caso deve ser analisado pelo presidente do órgão, ministro Níveo Gonçalves, no final desta tarde. Prudente é um dos acusados de envolvimento no suposto esquema de pagamento de propina a distritais em troco de apoio político ao governo de José Roberto Arruda. Em um dos vídeos obtidos pela Operação Caixa de Pandora, ele aparece colocando dinheiro nas meias.

Deputados do PT criticaram a "manobra" e disseram que Prudente está usando a Câmara Legislativa em seu favor. "Essa situação é insustentável do ponto de vista político e dos trabalhos da Câmara Legislativa. A Procuradoria da CLDF fica sobre a responsabilidade e sobre a coordenação do próprio presidente", disse o deputado Paulo Tadeu (PT).

A deputada distrital Érika Kokay (PT) afirmou que esta foi uma atitude na Câmara em prol de Prudente e não em defesa do Poder Legislativo, que teria sido atropelado pelo Poder Judiciário com a decisão de ontem do TJ-DF.

"A Procuradoria deve defender a Câmara como instituição e, ao nosso ver, a CLDF não foi prejudicada com a decisão. Esta decisão (de a Câmara recorrer) não está defendendo o Poder Legislativo e sim o Leonardo Prudente na pessoa dele", afirmou.

Entenda o caso
O mensalão do governo do DF, cujos vídeos foram divulgados no último mês, é resultado das investigações da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. O esquema de desvio de recursos públicos envolvia empresas de tecnologia para o pagamento de propina a deputados da base aliada.

O governador José Roberto Arruda aparece em um dos vídeos recebendo maços de dinheiro. As imagens foram gravadas pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, que, na condição de réu em 37 processos, denunciou o esquema por conta da delação premiada. Em pronunciamento oficial, Arruda afirmou que os recursos recebidos durante a campanha foram "regularmente registrados e contabilizados".

As investigações da Operação Caixa de Pandora apontam indícios de que Arruda, assessores, deputados e empresários podem ter cometido os crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva e ativa, fraude em licitação, crime eleitoral e crime tributário.

Redação Terra