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Prefeitos criticam centralização no PT paulista

12 de novembro de 2004 10h22

Depois do mau resultado no segundo turno das eleições e da crise na base de sustentação no Congresso, o governo terá, agora, de acalmar a insatisfação interna do PT. Líderes regionais do partido, como o prefeito de Aracaju, Marcelo Déda, e o governador do Acre, Jorge Viana, já avisaram que vão defender junto ao comando do PT que São Paulo deixe de ser o eixo central das decisões do partido.

Esse grupo, que tem ainda o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, e o prefeito do Recife, João Paulo Lima, como destaques, acha que o excesso de centralização paulista pode afastar o PT dos eleitores de outros estados e até atrapalhar o desempenho na votação de 2006.

Essa discussão será levantada na reunião do PT, nos dias 20 e 21, organizada para avaliar o desempenho eleitoral do partido. Na noite de desta quarta-feira, em Brasília, no jantar de despedida do secretário de Imprensa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Ricardo Kotscho, Marcelo Déda comunicou ao ministro da Casa Civil, José Dirceu, que abrirá essa discussão na reunião do partido. O grupo de fora de São Paulo cobra maior participação no núcleo de decisões do partido, na elaboração das estratégias eleitorais e nas decisões de governo. Para esses petistas, a centralização paulista traz efeitos negativos para todo o PT quando ocorrem derrotas como a da prefeita da capital, Marta Suplicy.

Nessa avaliação, a perda do controle da capital, assim como a derrota em Porto Alegre, teria contaminado negativamente o desempenho global petista, a ponto de ficarem em segundo plano pontos importantes, como o fato de o partido ter sido campeão nacional de votos em segundo turno, ter vencido em 9 das 26 capitais do Brasil e ter ganho já em primeiro turno em cidades importantes como Belo Horizonte, Recife e Aracaju.

"O PT fez 16 milhões de votos nas eleições, ganhou em muitas cidades, tendo, até, enorme votação em São Paulo, e tem-se a impressão de que foi o grande derrotado, por causa do simbolismo da derrota de Marta", lamenta Déda.

Logo depois do primeiro turno, Pimentel e Déda defenderam publicamente um maior espaço dentro do PT para líderes de outros Estados. Além do respaldo obtido nas urnas, ambos avaliaram que o partido poderia se oxigenar, ampliando sua regionalização.

Na prática, o comando do PT já sabe que não faltarão queixas na reunião de avaliação eleitoral. A política de alianças será duramente questionada. Nas duas maiores derrotas sofridas pelo PT - São Paulo e Porto Alegre - os diretórios locais insistiram para que os candidatos do partido liderassem chapas puro-sangue, com o vice sendo também indicado pelo PT. A avaliação é que isso restringiu o potencial eleitoral das candidaturas e ajudou na derrota. A prefeita eleita de Fortaleza, Luizianne Lins, vai cobrar do partido o fato de sua candidatura ter sido esvaziada pela direção petista, que preferiu pedir votos para Inácio Arruda (PCdoB).

O Povo