Os cerca de 370 milhões de indígenas no mundo têm
como desafio nesta década aplicar a Declaração das Nações Unidas
(ONU) sobre os seus direitos. Aprovado em 2007, o documento contém
46 artigos que incluem orientações sobre a garantia da propriedade
de suas terras, acesso a recursos naturais, preservação de
conhecimentos tradicionais e autonomia dos povos.
A avaliação é de
Marcos Terena, articulador do Comitê Intertribal - Memória e
Ciência Indígena (ITC). Ele participa hoje (14) do lançamento da
primeira publicação da ONU sobre a situação dos índios no mundo.
"Essa carta de
princípios precisa ser um mecanismo de defesa dos índios cerca
de 6% da população mundial em situação de vulnerabilidade",
afirmou.
O relatório, elaborado por peritos indígenas, denuncia
desigualdades na educação, na distribuição de terras, no emprego,
nos níveis de segurança alimentar, de mortalidade infantil e violência, além do impacto de
novos problemas como a questão ambiental e a migração. O documento
tem divulgação simultânea no Rio de Janeiro, Nova York,
Bruxelas,Canberra, Manila, México, Moscou, Pretoria, Bogotá.
De acordo com Terena, a
declaração é um marco ao aglomerar as principais demandas do
movimento, com destaque para a demarcação de terras, fator
fundamental para garantia de todos direitos indígenas e da
identidade do povo. "O Brasil tem regras definidas para
demarcação que outros países não têm, no entanto, não consegue
estabelecer uma política pública para executá-la".
Com a publicação do
relatório da ONU, Terena espera que a Declaração dos Povos
Indígenas ganhe força nos países signatários como o Brasil
e possa também ser ratificada por outros países como Nova Zelândia,
Canadá e Estados Unidos, onde inuits (esquimós), maorís e
aborígenes são historicamente discriminados, embora organizem
movimentos de resistência política e cultural.
"Esse relatório é
uma das ações da ONU para dar visibilidade a toda a questão
indígena no mundo e faz parte de uma estratégia de anos para
sensibilizar os países", declarou.
Terena também lembra
que a Bolívia, onde mais da metade da população é de indígenas,
transformou a declaração em lei federal, com objetivo de reverter
dados educacionais, do mercado de trabalho e de saúde, por exemplo.
No país, os indígenas recebem quatro anos a menos de educação que
a população não-índia.
- Agência Brasil


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