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 Líder vê como desafio aplicação da Declaração da ONU sobre Povos Indígenas
14 de janeiro de 2010 12h14

Os cerca de 370 milhões de indígenas no mundo têm como desafio nesta década aplicar a Declaração das Nações Unidas (ONU) sobre os seus direitos. Aprovado em 2007, o documento contém 46 artigos que incluem orientações sobre a garantia da propriedade de suas terras, acesso a recursos naturais, preservação de conhecimentos tradicionais e autonomia dos povos.

A avaliação é de Marcos Terena, articulador do Comitê Intertribal - Memória e Ciência Indígena (ITC). Ele participa hoje (14) do lançamento da primeira publicação da ONU sobre a situação dos índios no mundo.

"Essa carta de princípios precisa ser um mecanismo de defesa dos índios cerca de 6% da população mundial em situação de vulnerabilidade", afirmou.

O relatório, elaborado por peritos indígenas, denuncia desigualdades na educação, na distribuição de terras, no emprego, nos níveis de segurança alimentar, de mortalidade infantil e violência, além do impacto de novos problemas como a questão ambiental e a migração. O documento tem divulgação simultânea no Rio de Janeiro, Nova York, Bruxelas,Canberra, Manila, México, Moscou, Pretoria, Bogotá.

De acordo com Terena, a declaração é um marco ao aglomerar as principais demandas do movimento, com destaque para a demarcação de terras, fator fundamental para garantia de todos  direitos indígenas e da identidade do povo. "O Brasil tem regras definidas para demarcação que outros países não têm, no entanto, não consegue estabelecer uma política pública para executá-la".

Com a publicação do relatório da ONU, Terena espera que a Declaração dos Povos Indígenas ganhe  força nos países signatários como o Brasil e possa também ser ratificada por outros países como Nova Zelândia, Canadá e Estados Unidos, onde inuits (esquimós), maorís e aborígenes são historicamente discriminados, embora organizem movimentos de resistência política e cultural.

"Esse relatório é uma das ações da ONU para dar visibilidade a toda a questão indígena no mundo e faz parte de uma estratégia de anos para sensibilizar os países", declarou.

Terena também lembra que a Bolívia, onde mais da metade da população é de indígenas, transformou a declaração em lei federal, com objetivo de reverter dados educacionais, do mercado de trabalho e de saúde, por exemplo. No país, os indígenas recebem quatro anos a menos de educação que a população não-índia.

Agência Brasil