Manifestantes contra e à favor da permanência de Arruda protestam em frente à Câmara
Foto: Marina Mello/Terra
- Marina Mello
- Direto de Brasília
Cerca de 500 pessoas de dois grupos, um que pede a saída do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, e outro que defende que ele permaneça no cargo, protestavam na frente da Câmara Legislativa Distrital na manhã desta segunda-feira, quando os trabalhos na Casa serão retomados após recesso. Os manifestantes estavam no local com um carro de som.
Desde a noite de domingo, o grupo do Movimento Fora Arruda está do lado de fora do local, onde ficaram acampados. Hoje pela manhã, o grupo pró-Arruda chegou ao local com trio elétrico, bandeiras e adesivos com a inscrição "Fica Arruda".
Segundo o representante do Movimento Fora Arruda Paíque Duque, logo que chegou ao local o grupo pró-Arruda quebrou o caixão que eles costumam levar em protestos contra o governador.
"Hoje se retomam as atividades aqui. E nós sabemos que não dá para esperar nada, nenhum tipo de investigação séria partindo daqui. Então, retomamos as atividades do movimento e fomos para as ruas", disse Duque sobre o retorno do presidente da Câmara Legislativa, Leonardo Prudente (sem partido), visto em um vídeo colocando dinheiro do suposto esquema de propina nas meias, ao cargo, após recusar o pedido feito por seus colegas da mesa diretora para se afastar enquanto a Casa investiga chamado mensalão do governo do DF.
Prudente havia se licenciado do cargo depois do início da Operação Caixa de Pandora. Segundo Duque, cerca de 50 pessoas do grupo Fora Arruda estiveram na frente da casa do deputado em protesto no domingo.
Hoje, ao perceberam que o clima seria tenso e de possível embate na manifestação, o grupo Fora Arruda foi até a porta da Câmara para aguardar a chegada da polícia. Eles permaneciam sentados na porta da Casa às 9h45 e um grupo de PMs fazia a separação entre os de manifestantes.
Os dois grupos têm trio elétrico e disputavam quem conseguiria o volume mais alto nas músicas e discursos. Do alto do trio, manifestantes a favor do governador acusavam os estudantes de serem financiados pela Central Única dos Trabalhadores (CUT). Os manifestantes do Fora Arruda colocaram no trio a música "Se gritar pega ladrão".
"Aqui só tem trabalhador, e não baderneiro, que recebe dinheiro da CUT para viajar para a Chapada", disse um manifestante pró-Arruda, se referindo a uma região próxima a Brasília, chamada Chapada dos Veadeiros.
A líder do PT na Câmara, deputada Érika Kokay, pediu o acompanhamento de promotores do Ministério Público no retorno dos trabalhos para evitar, segundo ela, o uso de recursos públicos para levar à Casa manifestantes a favor do governador, investigado pela Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, suspeito de participar do mensalão do DEM. A acusação é de envolvimento em suposto esquema de pagamento de propina para parlamentares da Câmara Distrital e assessores do governo.
Entenda o caso
O mensalão do governo do DF, cujos vídeos foram divulgados no fim de novembro de 2009, é resultado das investigações da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. O esquema de desvio de recursos públicos envolvia empresas de tecnologia para o pagamento de propina a deputados da base aliada.
O governador José Roberto Arruda aparece em um dos vídeos recebendo maços de dinheiro. As imagens foram gravadas pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, que, na condição de réu em 37 processos, denunciou o esquema por conta da delação premiada. Em pronunciamento oficial, Arruda afirmou que os recursos recebidos durante a campanha foram "regularmente registrados e contabilizados".
As investigações da Operação Caixa de Pandora apontam indícios de que Arruda, assessores, deputados e empresários podem ter cometido os crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva e ativa, fraude em licitação, crime eleitoral e crime tributário.
- Redação Terra














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