A árvore de Natal de Florianópolis custou R$ 3,7 milhões
Foto: Fabrício Escandiuzzi/Especial para Terra
- Fabrício Escandiuzzi
- Direto de Florianópolis
A polêmica da instalação de uma árvore de Natal de R$ 3,7 milhões em Florianópolis fez a prefeitura cancelar vários eventos e recorrer à iniciativa privada para realizar a tradicional queima de fogos de Ano-Novo. Em entrevista nesta quarta-feira, o prefeito Dário Berger (PMDB) anunciou que a queima de fogos só será realizada graças a um patrocínio da RIC, retransmissora da Record em Santa Catarina. Ainda existe a possibilidade de que as atrações musicais sejam realizadas, mas pelo menos por enquanto, os eventos estão suspensos.
O caso da árvore gerou polêmica esta semana quando a empresa Palco Sul, responsável pela estrutura, manteve a decoração desligada por várias horas. A alegação foi a de que a prefeitura não teria pago o valor referente à segunda parcela dos trabalhos. Segundo o Ministério Público de Santa Catarina, há indícios de superfaturamento na montagem da estrutura.
O secretário de Turismo, Mário Cavallazzi, chegou a declarar suspensas todas as atividades, incluindo um show do cantor Andrea Bocelli, apresentações de bandas e até mesmo a queima de fogos do Ano-Novo. A apresentação do Balé Bolshoi e um show religioso do padre Fábio de Melo já haviam sido cancelados.
A queima de fogos só será realizada através do patrocínio, apesar da licitação da árvore e da festa não terem uma ligação direta. Cavallazzi argumenta que o contrato da árvore englobaria toda a montagem de palcos para as apresentações culturais e que a polêmica na Justiça teria engessado a prefeitura.
O valor de R$ 3,7 milhões para a construção foi dividido em quatro parcelas. Duas estavam bloqueadas por decisão unânime do Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Na noite de segunda-feira, o juiz substituto Domingos Paludo voltou a liberar o pagamento, com a condição de que a Palco Sul apresente bens como caução. O mérito de duas ações populares só será julgado em 2010.
O caso divide opiniões na cidade. Movimentos culturais e sindicalistas realizam protestos durante as tardes em frente ao principal terminal de ônibus urbanos da cidade.
"Temos uma árvore mais cara do que toda a iluminação de Paris. Estamos pagando R$ 3 milhões por um show, enquanto toda a classe artística não recebeu os repasses dos editais de cultura", afirmou Murilo Silva, um dos líderes dos protestos.
Para quem visita a árvore na avenida Beira Mar Norte durante a noite, a grande lamentação é com relação à confusão gerada. "A (árvore) do ano passado funcionava melhor e podíamos chegar mais perto", afirma Genésio Santos Marcucci Neto, 34 anos. "Ela até é bonita, mas não acho que compensou pagar tudo isso".
- Especial para Terra

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