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 DEM deve adiar decisão sobre expulsão de deputado do DF
23 de dezembro de 2009 13h32 atualizado às 13h43

Keila Santana
Direto de Brasília

Por falta de quorum, a executiva regional do DEM em Brasília pode adiar o julgamento do processo de expulsão do presidente licenciado da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Leonardo Prudente, flagrado em vídeos recebendo dinheiro supostamente ilegal e guardando cédulas nas meias. O comando do partido só conseguiu confirmar até agora a presença de 9 dos 21 integrantes da executiva, sendo que o mínimo para votação é o quórum de 11.

O secretário-geral do DEM-DF, Flávio Cury, admite que vários integrantes já estavam com passagens marcadas para compromissos pessoais e não estão dispostos a alterar os planos de férias para julgar o colega flagrado m vídeo guardando dinheiro na meia e no paletó, supostamente da propina do mensalão do governo de Brasília.

"Nós temos a sinalização que não vamos ter quorum. Consegui confirmar a presença de nove integrantes. Ainda estamos fazendo contatos, tentando garantir a análise do caso", disse.

Segundo Flávio Cury, há o risco de adiamento para janeiro apesar da pressão da cúpula nacional do partido, que ameaça uma intervenção no diretório regional caso o processo de expulsão não fosse julgado até esta quarta-feira.

"Estou doido para resolver logo este assunto. Tem 15 dias que eu respondo a mesma coisa e espero resolver logo isso. Não temos interesse em deixar nada pendente", afirmou Cury.

A reunião para receber a defesa do distrital Leonardo Prudente está marcada para a noite desta quarta-feira. O secretário-geral do DEM negou que o partido tente achar uma saída para evitar a expulsão de Prudente. Flávio Cury se reuniu ontem com o governador José Roberto Arruda, mas disse que a conversa não tratou de assuntos partidários.

"Não discuto esta questão. Estou me esforçando para ter a postura mais isenta possível. Conversei com o governador sobre vários assuntos, mas nenhum referente ao Prudente até porque o Arruda nem faz mais parte do partido", disse.

Entenda o caso
O mensalão do governo do DF, cujos vídeos foram divulgados nas últimas semanas, é resultado das investigações da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. O esquema de desvio de recursos públicos envolvia empresas de tecnologia para o pagamento de propina a deputados da base aliada.

O governador José Roberto Arruda aparece em um dos vídeos recebendo maços de dinheiro. As imagens foram gravadas pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, que, na condição de réu em 37 processos, denunciou o esquema por conta da delação premiada. Em pronunciamento oficial, Arruda afirmou que os recursos recebidos durante a campanha foram "regularmente registrados e contabilizados".

As investigações da Operação Caixa de Pandora apontam indícios de que Arruda, assessores, deputados e empresários podem ter cometido os crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva e ativa, fraude em licitação, crime eleitoral e crime tributário.

Especial para Terra