Enquanto o governador Sérgio Cabral arriscava alguns dribles na partida de futebol de areia realizada nesse domingo na praia de Copacabana, entre torcedores do Flamengo e do Vasco, vendedores ambulantes circulavam livres no calçadão logo ao lado. No trecho em frente ao campo onde era disputado o jogo, na altura da rua Rodolfo Dantas, 17 carrocinhas de vendedores ambulantes se aglomeravam, atrapalhando os pedestres. Havia até uma espécie de feira de bicicletas exatamente no meio do calçadão.
"Os guardas municipais deixaram que ficássemos aqui", disse um vendedor de milho que pediu para não ser identificado. "Disseram que o homem (Cabral) estava aí hoje e que por isso podíamos trabalhar sem sermos incomodados", afirmou.
Os guardas municipais e policiais militares que patrulhavam o local não se importavam com a presença. A aparente e momentânea calmaria, porém, não deixou os vendedores ambulantes mais tranquilos. A maioria dos que estavam ali trabalhando se disse apreensiva com a iminência da chegada do choque de ordem às areias e à orla de Copacabana. Vanderli Alves da Silva, 41 anos, morador da Rocinha, disse que continuará vendendo seus churros, mesmo que não consiga a licença para trabalhar.
"Camelô é que nem barata, né?", compara Vanderli. "Você pega um aqui e aparecem oito do outro lado. Mas está todo mundo agoniado. Eu vou continuar vendendo. Como vou fazer para sustentar minha família? Se não der para vender no calçadão, vou para as ruas de dentro", disse.
Dança das cadeiras
Os barraqueiros da areia também estão preocupados. Dorotty de Jesus Szabbo, 30 anos, é um deles. Ela conta que o estabelecimento do limite de 60 cadeiras de praia por barraqueiro os deixou insatisfeitos. Antes, ela contou que conseguia alugar 150 cadeiras e ainda tinha fila de reserva.
"A gente fica agoniada, rezando para as pessoas levantarem logo para a gente alugar a cadeira de novo", contou Dorotty. "O pessoal que vende comida na praia disse que não vai deixar de vir por causa da proibição. Virão na cara dura mesmo. Mas eu concordo com a proibição. Conheço gente que fica com aquele camarão no espeto três, quatro dias. Chega em casa, guarda na geladeira e, no dia seguinte, dá uma esquentadinha e fica tudo certo. Não sei quem tem coragem de comer aquilo", afirmou.
Perto dali, o governador Cabral se esfalfava em campo para não comprometer o desempenho o seu time, o Vasco, na partida. Apesar da protuberante silhueta e do fôlego que não é o mesmo de quando sagrou-se campeão de futebol de areia pelo Brasas, 25 anos atrás, Cabral saiu-se razoavelmente bem. Mesmo por que a bola manteve uma prudente distância de seus pés durante o prélio, que terminou empatado em 3 a 3.
"Considero meu desempenho acima do esperado, consegui me movimentar bem. Mas, é claro que os meninos me aliviaram, me tratando como café com leite. É muito difícil o futebol de areia. É muito mais puxado", avaliou o governador.
Em Ipanema
Agentes de Controle Urbano apreenderam neste domingo 14 guarda-sóis e 17 cadeiras fora dos padrões entre o Arpoador e o Leblon. Setenta e sete veículos foram rebocados e 72 multas aplicadas por estacionamento irregular. Um homem foi conduzido por guardas municipais para a 14ª DP (Leblon) após ter sido flagrado furtando um celular.


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