Senadores participam da votação para definir a entrada da Venezuela no Mercosul
Foto: AFP
- Keila Santana
- Direto de Brasília
Após três anos da assinatura do protocolo de adesão, o plenário do Senado aprovou nesta terça-feira por 35 votos favoráveis e 27 contrários a entrada da Venezuela no Mercosul. Os governos da Argentina e do Uruguai já aprovaram a integração dos venezuelanos ao bloco e agora falta o posicionamento do Senado do Paraguai.
A votação do ingresso da Venezuela foi adiada várias vezes devido à obstrução dos partidos de oposição que não concordam com a participação do país agora no Mercosul.
O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), comemorou o encerramento da discussão, com o cumprimento do acordo feito com a oposição para deixar que o decreto fosse votado e a maioria definisse o placar.
"A Venezuela é bom para a América do Sul, para o processo de integração, e bom inclusive para Venezuela, para melhorar a transparência, para termos mecanismos internacionais em condição de cobrar mais democracia e respeito aos direitos humanos", disse Jucá.
Os líderes do PSDB e DEM afirmam que o governo do presidente Hugo Chávez deixa a desejar em relação ao respeito aos princípios democráticos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também foi alvo das críticas da oposição no Senado depois de antecipar num discurso da reunião de Cúpula do Mercosul, em Montevidéu, semana passada, que o Senado brasileiro iria aprovar a entrada da Venezuela no bloco. "O presidente Lula não pode deixar a soberba lhe subir à cabeça. Ele tem sido permissivo com o presidente Chávez. Quem votar a favor do ingresso da Venezuela que assuma a responsabilidade pelo o que acontecer. Hoje convocamos simbolicamente para a missa de sétimo dia do Mercosul. Vamos atrasar em anos, em décadas quem sabe a integração da América do Sul", disse o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM).
O líder do DEM, senador José Agripino Maia (RN) disse que votou contra o ingresso da Venezuela por temer que o bloco econômico se isole no contexto mundial devido às posições pessoais do presidente venezuelano Hugo Chávez.
"Eu tenho medo de que a Venezuela de Hugo Chávez entrando no Mercosul, o bloco possa se dissolver pelo isolamento. Eu defendo o ponto de vista nacional. Aprovar o ingresso do Estado venezuelano e não do governo da Venezuela esquecendo que o governante não tem práticas democráticas. Admitir a entrada da Venezuela significa que estaremos por um longo período trazendo um estilo pessoal para as discussões do Mercosul e um estilo pessoal que não abriga os interesses do Brasil", disse Agripino.
O governo sustenta que a entrada da Venezuela no bloco do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai não significa um reforço no apoio das ações de Hugo Chávez e sim mais um passo na direção da integração econômica da América do Sul. Os senadores que votaram a favor afirmam que é preciso separar a figura do presidente Hugo Chávez do Estado venezuelano. Outro argumento apresentado foi a importância econômica da Venezuela para o Mercosul. O país é terceira economia da América do Sul, com um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 320 bilhões em 2008. "A energia de Roraima vem da Venezuela. Não podemos penalizar os trabalhadores, a juventude, o povo da Venezuela. O Brasil não pode temer Hugo Chávez, temer esse passo que não será outra coisa senão o fortalecimento do Brasil na América Latina", disse o senador João Pedro (PT-AM).
O senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), que preside a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), disse que a relação comercial com a Venezuela não é suficiente para aceitar o país no bloco. "O Mercosul não evoluiu como era esperado e vem tendo problemas inclusive com seus atuais integrantes, como a postura assumida pela Argentina, que diminuiu o comércio com o Brasil em favor da China", disse.
A senadora Marisa Serrano (PSDB-MS) disse que o principal temor hoje é mesmo o governo do presidente Hugo Chávez, já que a presidência do bloco é alternada entre os integrantes e uma hora chegará aos mãos da Venezuela. "Vamos pensar no Mercosul de hoje, ele não está forte para barrar nenhuma aventura e também o bloco não está tão unido para impedir ataques à nossa democracia. Quem vai negociar não é o povo da Venezuela, é o caudilho que governa aquele país. É aceitar dentro do Mercosul uma víbora que pode nos devorar", afirmou.
- Redação Terra

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