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 Desfiliação de Arruda desmonta tática de defesa ética do DEM
11 de dezembro de 2009 13h00 atualizado às 13h48

A desfiliação do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, do DEM desmontou a estratégia organizada por um setor do partido que pretendia usar a expulsão do político como trunfo da defesa da ética e da moralidade. No entanto, há membros da executiva nacional da legenda que defendem a manutenção do discurso como elemento de reação a eventuais ataques dos adversários.

Enviados como observadores estrangeiros para as eleições no Chile, quatro integrantes do DEM afirmam que a decisão de cancelar a reunião que ocorreria nesta sexta-feira, em Brasília, indica que o objetivo é esvaziar o assunto e evitar que o tema volte ao debate. Eles reconhecem, porém, que é difícil neutralizar o assunto.

De acordo com os integrantes do partido, a orientação transmitida a Arruda é que ele conclua seu mandato como governador, mantendo as ações de sua gestão com apoio da popularidade, e busque a discrição. Segundo parlamentares experientes, o ideal seria o governador manter-se afastado dos debates políticos para evitar posteriores críticas.

Na quinta, Arruda enviou carta ao DEM anunciando sua desfiliação do partido, segundo ele, "para evitar constrangimentos". A executiva nacional da legenda se reuniria hoje para avaliar a expulsão.

"Para evitar o constrangimento de ter que decidir-se entre saciar a sede por atos radicais e midiáticos ou julgar com amplo direito de defesa e cumprimento do prazo estatutário", afirmou ele, em entrevista coletiva convocada ontem. "Tomo a difícil decisão de deixar a vida partidária desligando-me neste momento do partido Democrata. Não disputarei a eleição do próximo ano."

Arruda afirmou que vai dedicar-se ao governo e não pretende se candidatar em 2010 à reeleição, como já era certo. "Com as atuais regras eleitorais, não disputarei mais nenhuma eleição".

O escândalo envolvendo as revelações da Operação Caixa de Pandora, realizada pela Polícia Federal, isolou Arruda no DEM. O agravante, segundo os integrantes do partido, foram as imagens que mostraram o governador negociando dinheiro supostamente ligado a um complexo esquema de corrupção no Distrito Federal.

Entenda o caso
O mensalão do governo do DF, cujos vídeos foram divulgados neste mês, é resultado das investigações da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. O esquema de desvio de recursos públicos envolvia empresas de tecnologia para o pagamento de propina a deputados da base aliada.

O governador José Roberto Arruda aparece em um dos vídeos recebendo maços de dinheiro. As imagens foram gravadas pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, que, na condição de réu em 37 processos, denunciou o esquema por conta da delação premiada. Em pronunciamento oficial, Arruda afirmou que os recursos recebidos durante a campanha foram "regularmente registrados e contabilizados".

As investigações da Operação Caixa de Pandora apontam indícios de que Arruda, assessores, deputados e empresários podem ter cometido os crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva e ativa, fraude em licitação, crime eleitoral e crime tributário.

Agência Brasil