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 Só vendo para crer, diz pai de brasileira morta na Austrália
02 de dezembro de 2009 19h09 atualizado às 20h35

A gaúcha Suellen Domingues Zaupa, 22 anos, foi encontrada morta na casa de um médico em Sydney. Foto: Reprodução/Futura Press

A gaúcha Suellen Domingues Zaupa, 22 anos, foi encontrada morta na casa de um médico em Sydney
Foto: Reprodução/Futura Press

Fabiana Leal
Direto de Porto Alegre

O empresário Luiz Antônio Zaupa, pai da brasileira Suellen Domingues Zaupa, 22 anos, encontrada morta na Austrália, embarcará nesta quinta-feira para Sydney, maior cidade do país. Ele disse que está ansioso para fazer o reconhecimento da filha. "Para um pai, só vendo para acreditar", afirmou. A mãe de Suellen, Solange, e o irmão de Zaupa, Sérgio Antônio, também irão à Austrália para providenciar a liberação do corpo e obter mais informações sobre o caso.

O corpo da jovem gaúcha, que estudava hotelaria em Sydney, foi encontrado no dia 21 de novembro na casa do neurocirurgião Suresh Nair, 41 anos. Segundo a polícia, ela teria morrido depois de ingerir um coquetel de cocaína e medicamentos que requerem prescrição médica, que teriam sido fornecidos pelo médico. A brasileira estaria no local com duas outras amigas quando morreu.

Quando vocês irão para a Austrália?
Vamos sair de Porto Alegre (RS), pela Aerolineas Argentinas, nesta quinta-feira e chegaremos em Sydney no sábado, porque até agora estávamos empenhados com a documentação para o visto. Um pessoal do consulado brasileiro estará nos aguardando. Quando chegarmos, vão nos colocar num hotel e só na segunda-feira poderemos tratar dos trâmites (da liberação do corpo).

Quem lhe deu a notícias da fatalidade com a sua filha na Austrália?
Consegui a informação com o pai de uma colega da Suellen. Como ele não sabia de muita coisa, conseguimos contato da universidade e conversamos com colegas dela. Aí, de imediato conseguimos a informação.

Como foi o seu contato com a polícia australiana?
A polícia australiana não revela nada para o consulado. Tive desgaste com pessoa encarregada pela investigação, aí quando me acalmei, ela me explicou tudo e eu compreendi. A polícia protege muito a vítima - o que é bom - e a família. Estamos em contato com diversas pessoas para tentar nos abastecer de informações.

O senhor acredita que estando lá, as circunstâncias da morte vão ser esclarecidas mais rapidamente?
A expectativa é resolver. A primeira coisa é que eu quero, é vê-la. Um pai, só vendo para acreditar. É muito difícil. Vou fazer o ritual que tem de ser feito, farei a minha despedida. Vamos fazer uma cerimônia e depois cremação. Já pedi um intérprete que fale português, pois a própria mãe (da Suellen) não fala inglês fluente.

A Suellen tinha irmãos? Foi inviável a ida deles à Austrália, já que o corpo não virá para o Brasil?
A Suellen tinha dois irmãos. Seria muito desgastante a ida deles para lá. Ela era muito querida, muito extrovertida e muito amada. Quero que eles e todo o restante da família fiquem com a imagem da Suellen alto-astral, amiga e parceira.

Como era o relacionamento com a sua filha?
Nós tínhamos um relacionamento bastante aberto. Ela não tinha grandes segredos. Pelo menos, eu acho que não havia segredos. Eu não consigo imaginar tudo isso que está sendo comentado. Ela tinha um suporte financeiro bom. Tinha carro, tinha tudo o que um estudante precisava para concluir o curso dela. O nosso interesse era que tivesse terminado o curso e depois fizesse alguns estágios para trabalhar em uma rede internacional de hotéis.

Ela estava terminando o curso e depois viria para o Brasil no dia 10 de dezembro para o Natal. E, no próximo ano, iria para a África do Sul. Ela queria buscar algo já na área hoteleira. E, na África do Sul, iria surgir oportunidades devido à Copa, já que tinha inglês, espanhol e português. Depois, ficaria mais um tempo no Brasil e iria para Dubai, que também é um polo de turismo.

Foi o senhor quem incentivou a Suellen a estudar fora do País?
Não, não. Ela sempre pensou nessa possibilidade. Desde menina, sempre quis viajar. Ela queria fazer um curso lá fora, pois achava que no Brasil seria mais uma e não teria oportunidades.

Nas últimas conversas que teve com a sua filha, sentiu alguma mudança no comportamento dela?
A Suellen não demonstrou nenhuma mudança. Na realidade, ela sempre priorizou os estudos.

O senhor disse que ela era muito preocupada com o futuro profissional, mas ela tinha namorado?
Não. Terminou há 30 dias com o namorado dela que era de Sydney - era uma rica pessoa. Não cheguei a conhecê-lo pessoalmente, mas ela mostrava fotos e via pela internet.

Redação Terra