Notícias » Brasil » Brasil

 Mensalão do DEM: secretário é o 6º a deixar o cargo no DF
02 de dezembro de 2009 18h18 atualizado às 18h20

Acusado de integrar o esquema de desvio e distribuição de recursos públicos à base aliada do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), o secretário de Obras e presidente regional do PSDB, Márcio Machado, pediu demissão do cargo esta tarde. A pasta passará a ser comandada pelo atual secretário-adjunto, Jaime Alarcão.

Machado é o sexto integrante do governo distrital a se afastar do cargo desde a última sexta-feira, quando a Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Caixa de Pandora. Todos são alvo da investigação policial, já que o ex-secretário de Relações Institucionais do Distrito Federal, Durval Barbosa, os acusa de integrar o esquema que seria comandado por Arruda.

No mesmo dia em que a investigação veio a público, Arruda afastou de seus cargos o secretário de Educação, José Luiz Valente; o chefe da Casa Civil, José Geraldo Maciel; o chefe de gabinete da Governadoria, Fábio Simão, e o assessor de imprensa Omézio Pontes.

Ontem, após o PSDB anunciar que deixaria a base de governo, o secretário de Governo, José Humberto Pires apresentou seu pedido de desligamento do cargo. Foi substituído pelo secretário-adjunto, Flávio Adalberto Giussani. Já Machado, segundo assessores, teria aguardado para se reunir com o governador esta tarde para explicar que atende à decisão partidária.

Com a saída de Pires e de Machado da estrutura de governo, o PSDB segue apenas com a Secretaria de Fazenda, ocupada por Valdivino Oliveira, e cargos no segundo escalão.

Em depoimento ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, Durval Barbosa, afirmou que Machado o teria procurado para negociar o pagamento de R$ 6 milhões para o deputado distrital e presidente regional do Partido Progressista (PP), Benedito Domingos, além de R$ 200 mil para Adalberto Monteiro, presidente local PRP e de R$ 100 mil para Divino Omar Nascimento, que comanda o diretório regional do PTC. O dinheiro, segundo Barbosa, era entregue em troca do apoio político destes partidos à campanha de Arruda às eleições de 2006.

Ainda segundo Barbosa, Pires seria o homem de confiança de Arruda e um dos responsáveis por receber o dinheiro recolhido por Barbosa, que garante ter entregado pessoalmente a Humberto "lotes de R$ 1 milhão" em pelo menos duas ocasiões, além de ter deixado iguais montantes na empresa do secretário, a Combral, em pelo menos outras duas ocasiões. A Combral foi alvo dos mandados de busca e apreensão expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Entenda o caso
O mensalão do governo do DF, cujos vídeos foram divulgados neste fim de semana, é resultado das investigações da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. O esquema de desvio de recursos públicos envolvia empresas de tecnologia para o pagamento de propina a deputados da base aliada.

O governador José Roberto Arruda aparece em um dos vídeos recebendo maços de dinheiro. As imagens foram gravadas pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, que, na condição de réu em 37 processos, denunciou o esquema por conta da delação premiada. Em pronunciamento oficial, Arruda afirmou que os recursos recebidos durante a campanha foram "regularmente registrados e contabilizados".

As investigações da Operação Caixa de Pandora apontam indícios de que Arruda, assessores, deputados e empresários podem ter cometido os crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva e ativa, fraude em licitação, crime eleitoral e crime tributário.

Agência Brasil