Manifestantes invadem o plenário da Câmara Legislativa do Distrito Federal
Foto: Figueiredo/Câmara Legislativa DF/Divulgação
- Laryssa Borges
- Direto de Brasília
Após as manifestações de estudantes e militantes partidários contra o governador José Roberto Arruda (DEM), o presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, deputado Cabo Patrício (PT), determinou nesta quarta-feira que a Polícia Legislativa instaure inquérito para apurar as responsabilidades pela quebra da porta principal da Casa.
Cerca de 150 manifestantes invadiram o prédio principal da Câmara por volta das 14h30 desta quarta-feira, quebraram o vidro da porta e ocuparam o Plenário da Casa.
Com apitos, faixas, panetones e até um caixão com um boneco representando o governador Arruda, estudantes e pessoas ligadas a partidos de oposição ao governo cobram a saída imediata do democrata do poder. Os manifestantes exigem ser ouvidos pelos deputados distritais e afirmaram que ficarão em Plenário até terem seus pleitos atendidos.
"O presidente em exercício condena os excessos ocorridos na tarde desta quarta-feira, que causaram danos materiais e lesões corporais contra um segurança da Câmara Legislativa. Ao mesmo tempo, determina à Polícia Legislativa a instauração de inquérito para apurar responsabilidades, conferindo-lhe poderes para requisitar, a qualquer unidade administrativa da CLDF (Câmara Legislativa do Distrito Federal), colaboração no intuito de averiguar os danos causados ao patrimônio público", disse o parlamentar em nota.
"Serão adotadas ações contra os responsáveis, no sentido de ressarcir ao erário do Distrito Federal os prejuízos causados. O Poder Legislativo, como casa do povo, continua aberto para receber manifestações de quaisquer setores da sociedade", afirmou o deputado.
Cabo Patrício ocupa interinamente a presidência da Casa após o deputado Leonardo Prudente (DEM) ter pedido afastamento por 70 dias. Em um dos vídeos da Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, Prudente aparece guardando maços de dinheiro em bolsos do paletó e nas meias. Em sua defesa, disse que guardou "nas vestimentas por questão de segurança".
Cabo Patrício, que está na Câmara Legislativa, tem condenado a manifestação de forma desorganizada e disse que "o Poder Legislativo, como instituição representativa da sociedade, já acolheu inúmeras manifestações nas dependências de suas instalações, sem colocar empecilhos para que elas ocorram de forma ordeira e sem danos ao patrimônio público e agressões aos servidores desta Casa".
Até o momento, Arruda, que aparece em vídeo recebendo maços de dinheiro, é alvo de seis processos de impeachment, casos que terão, em tese, de ser analisados pela própria Câmara local.
O mensalão do governo de José Roberto Arruda, cujos vídeos foram divulgados neste fim de semana, é resultado das investigações da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. O esquema de desvio de recursos públicos envolvia empresas de tecnologia para o suposto pagamento de propina a deputados da base aliada.
Em sua defesa, Arruda disse que toda a arrecadação de recursos está devidamente registrada na Justiça Eleitoral e afirmou que recebeu recursos apenas uma vez, do então secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa. O dinheiro, na versão do governador, foi destinado à compra de panetones para famílias carentes.
As investigações da Operação Caixa de Pandora apontam indícios de que Arruda, assessores, deputados e empresários podem ter cometido os crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva e ativa, fraude em licitação, crime eleitoral e crime tributário.
- Redação Terra









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