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 Diretora nega abuso em escola de GO e irrita pais de vítima
26 de novembro de 2009 22h20 atualizado às 22h22

Márcio Leijoto
Direto de Goiânia

A diretora da escola municipal onde um estudante foi supostamente abusado sexualmente por um homem na tarde de sexta-feira em Goiânia (GO) negou nesta quinta-feira, em depoimento à polícia, que o crime tenha ocorrido no interior da unidade de ensino. Vera Lúcia Machado afirmou acreditar que o menino tenha sido violentado em outro local, pois, segundo ela, seria impossível alguém entrar na escola sem ser visto.

Para a polícia, entretanto, não há dúvidas de que a criança foi abusada dentro da escola. "Os depoimentos não mudaram em nada o que acreditamos", disse a delegada Adriana Accorsi, titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), que investiga o caso.

O estudante disse que na sexta-feira entrou na sala, deixou seu material na mesa e foi no banheiro, onde encontrou com um homem com uma sacola cheia de latas. Esta pessoa o violentou e ameaçou de morte. A criança voltou para a classe, disse que contou o ocorrido à professora e que esta não lhe deu atenção. A vítima só foi para uma delegacia depois que relatou o crime para o pai, já à noite. Laudo do Instituto Médico Legal (IML) confirmou que a criança foi vítima de abuso sexual.

A diretora foi até a DPCA acompanhada da coordenadora de turno da escola e de um advogado. Eles apresentaram relatórios sobre as atividades da escola e do comportamento do menino, cujos conteúdos serão mantidos em sigilo. Apenas a diretora foi ouvida. Ela confirmou que não há guarda municipal nem vigilante contratado para cuidar da segurança da unidade.

Ela disse também que no dia 18 um andarilho tentou forçar sua entrada na escola para usar o banheiro, mas foi barrado por funcionários da unidade. Essa pessoa foi levada para a DPCA na última segunda-feira, mas não foi reconhecida pelo estudante como o autor do crime.

Conforme Adriana, a diretora afirmou que, no dia 20, a criança chegou à escola acompanhada de um amigo. Mas, como afirma a delegada, a criança não chegou atrasada, e sim adiantada naquele dia. Esse amigo da vítima será ouvido nos próximos dias.

Tanto a diretora quanto a coordenadora não quiseram falar com a imprensa. O advogado Darlan Alves Ferreira, que falava em nome de Vera Lúcia, disse que no momento em que o garoto afirmou ter sido atacado havia um evento de oração entre estudantes, pais e professores e que a escola estava cheia de pessoas.

O advogado Warlenn Cordeiro, que representa os pais da criança, disse que é normal a direção da escola negar que o crime tivesse ocorrido no interior da unidade. "Em fevereiro, houve um crime parecido em outra escola e a direção de lá também negou até que o autor foi preso e confessou tudo".

Cordeiro disse que os pais da criança estavam irritados com supostas declarações da diretora de que o crime teria ocorrido na casa deles. Na delegacia, ela negou que tivesse feito tal insinuação. Afirmou também que a direção da escola se negou a conversar com os pais da vítima após o dia do crime.

A criança voltou a estudar na quarta-feira, mas em outra escola na região. Sete suspeitos já foram detidos, com base no retrato falado feito pela vítima. Mas nenhum deles foi reconhecido. Tanto Vera Lúcia como a coordenadora foram afastadas na terça-feira temporariamente de suas funções pela Secretaria Municipal de Educação (SME).

Especial para Terra