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 Obama pede ajuda de Lula contra programa nuclear do Irã
25 de novembro de 2009 05h01 atualizado às 09h51

Alexei Barrionuevo
Do "New York Times", no Rio de Janeiro

O presidente Barack Obama no domingo enviou uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, reiterando a posição dos Estados Unidos quanto ao programa nuclear iraniano, um dia antes da primeira visita de Estado do líder do Irã ao Brasil, revelou na terça-feira um assessor de Lula.

Obama não fez críticas explícitas a Lula por receber o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, e deu a entender em lugar disso que esperava que Lula aproveitasse a ocasião a fim de expressar apoio ao esforço internacional para promover um compromisso quanto às ambições nucleares iranianas, informaram dois representantes do governo americano.

Em uma carta de três páginas, Obama reiterou seu apoio a uma proposta da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) cujo objetivo seria tentar conduzir o Irã ao desenvolvimento de energia nuclear para fins civis e pacíficos. O acordo proposto apela ao Irã que exporte a maior parte de seu urânio enriquecido para processamento no exterior, em uma forma que permitiria o uso do material em um reator médico instalado em Teerã.

O Irã até o momento vem rejeitando a proposta. Na segunda-feira, Lula reiterou seu apoio ao direito do Irã de desenvolver tecnologia nuclear para uso na produção de energia, algo que o Brasil já fez.

Ahmadinejad, o primeiro líder iraniano a visitar o Brasil em 44 anos, chegou a Brasília na segunda-feira. Lula organizou a visita como parte de um esforço diplomático para ajudar a mediar as tensões entre Israel e os palestinos. O presidente de Israel, Shimon Peres, e o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, fizeram visitas separadas ao Brasil este mês.

Obama já havia discutido a questão do Irã com Lula anteriormente, e expressado a esperança, durante uma reunião do Grupo dos 20 (G20), em abril deste ano, de que Lula promovesse um diálogo com Ahmadinejad quanto à questão nuclear, de acordo com funcionários do governo brasileiro e do governo americano.

Mas já havia surgido tensão entre Brasil e Estados Unidos antes da visita de Ahmadinejad, devido a uma iniciativa americana de reforçar a presença militar do país na Colômbia e também devido ao comportamento dos Estados Unidos com relação à crise política de Honduras.

A carta de Obama também discutia a situação em Honduras, bem como as negociações sobre a mudança do clima, que acontecerão em Copenhagen, e a rodada Doha de negociações de comércio internacional. Quanto a Honduras, Obama justificou o apoio dos Estados Unidos a uma eleição presidencial no país depois da derrubada do presidente Manuel Zelaya, em junho. Obama declarou em sua carta que a situação "recomeçaria do zero" depois da eleição, segundo o funcionário do governo brasileiro.

O Brasil se opõe à realização da eleição, marcada para domingo, alegando que seria inapropriada devido à derrubada de Zelaya, classificada como golpe de Estado pelo Brasil e por boa parte do mundo. Um porta-voz do governo brasileiro informou na noite de terça-feira que Lula ainda não havia respondido à carta de Obama, e que estava considerando a opção de conversar com ele ao telefone, em lugar de lhe enviar uma carta.

Tradução: Paulo Migliacci

The New York Times
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