Ahmadinejad assinou acordos de cooperação com o Brasil durante visita oficial
23 de novembro de 2009
Foto: AFP
O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou na noite desta segunda-feira, em entrevista coletiva, que os Estados Unidos e Israel "não teriam coragem" para atacar seu país. Perguntado se seu país estava preparado para um ataque militar dos dois países, o líder iraniano disse que "a era dos ataques militares já chegou ao seu fim". Mesmo assim, disparou a provocação. "Aqueles a quem você se referiu não têm coragem para praticar isso."
Ahmadinejad disse também que o Irã, que teria sido o autor da proposta de obtenção de urânio enriquecido no exterior, não chegou a um entendimento com a ONU sobre o programa devido a uma campanha de propaganda promovida pelos países ocidentais, segundo a qual o Irã teria sido enfraquecido por essa solução.
O líder iraniano voltou a afirmar que seu país tem condições de enriquecer o urânio até os 25% e o fará se for preciso. Para ele, o Irã tem o direito de aproveitar a energia atômica para fins pacíficos, privilégio que ele reivindicou também para o Brasil.
O presidente do Irã também disse que, para essa solução ir adiante, o direito de comprador do Irã - de fazer exigências técnicas dos produtos adquiridos - teria que ser respeitado. "Cabe ao adquirente definir as condições da compra... no Irã, as pessoas não vão aceitar imposições de terceiros", disse.
Ele afirmou também que a atual conjuntura internacional não pode permanecer como tal, pois existe uma necessidade de mudança. "A presença do Brasil no Oriente Médio pode levar a um aperfeiçoamento da cooperação bilateral e multilateral. Pode também ajudar na promoção da paz e da estabilidade", afirmou.
Palestina e o Hamas
Questionado se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante o encontro desta segunda-feira, abordou a questão do suposto apoio financeiro iraniano ao grupo radical Movimento de Resistência Islâmico (Hamas), Ahmadinejad limitou-se a dizer que só recentemente a diplomacia brasileira passou a se interessar pelas questões do Oriente Médio e que, portanto, só com o passar do tempo "as coisas irão se esclarecer".
"Defendemos os direitos da nação palestina e de todos os povos injustiçados. Nosso apoio é espiritual e nossa proposta é muito clara. Mantemos relações tanto com o governo do presidente (da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud) Abbas, quanto com o Hamas e estamos interessados que todo o povo palestino seja unido e, através do consenso, resolva sua questão", disse Ahmadinejad, afirmando que dezenas de planos de paz e sucessivos governos não conseguiram resolver o problema por não considerar "a raiz do problema", que, de acordo com ele, remonta ao início da Segunda Guerra Mundial.
"A proposta da nação islâmica é muito clara: que o povo palestino, através de um referendo, decida seu destino e seu futuro. Esse é um direito do povo palestino. Matar as crianças e as mulheres de Gaza não resolverá o problema. Os políticos também não conseguiram. Então, o povo palestino é que deve decidir. E qualquer ajuda de qualquer pessoa que se baseie nesta visão será muito útil e por isso o presidente brasileiro e iraniano resolveram continuar a discutir a questão palestina".
"Brasil mediador"
Durante o dia, o líder iraniano apoiou a inclusão do Brasil entre os membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), um dos objetivos da política externa do governo brasileiro. O presidente Lula informou que pretende visitar o Irã no primeiro semestre de 2010.
"Aquilo que o Brasil defende para nós, nós defendemos para os outros", disse o presidente Lula durante entrevista de imprensa conjunta no Palácio do Itamaraty. Mediar situações de tensão seria parte da campanha do governo brasileiro para ampliar sua projeção internacional, dizem analistas.
"A política externa atual quer mostrar que o Brasil é capaz de ter papel mais ativo na solução dos problemas", afirmou o coordenador do curso de Relações Internacionais da Faap, Gunther Rudzit. O especialista em Relações Internacionais da PUC-SP Reginaldo Nasser vai na mesma linha. "Não se consegue uma vaga a não ser demonstrando capacidade, poder econômico, liderança política."
A vinda ao país do presidente iraniano gerou uma série de protestos, especialmente da comunidade judaica, devido a seus discursos. Ahmadinejad já fez declarações polêmicas defendendo a extinção de Israel, a inexistência do Holocausto, além de se manifestar contra as liberdades sexual e religiosa.
Nesta segunda-feira, manifestantes pró e contra Ahmadinejad tomaram a frente do Palácio do Itamaraty antes da chegada do líder iraniano. A polícia reforçou a segurança no local após sua chegada, inclusive com a presença da cavalaria.
Nesta noite, durante uma entrevista coletiva no hotel onde Ahmadinejad estava hospedado, um homem que estava na sala empunhou a bandeira do movimento homossexual, mas logo foi retirado da sala por seguranças. Mais cedo, citando o exemplo do Brasil, onde as comunidades judaica e árabe convivem de forma pacífica, Lula lembrou que seu governo é favorável à criação de um Estado palestino independente que assegure a segurança de Israel."O Irã pode ter um papel decisivo, não só no Oriente Médio, mas também na Ásia Central. Confiamos na experiência milenar de sua cultura para forjar uma ordem internacional harmônica em sua própria região", disse Lula.
Com informações da Reuters e da Agência Brasil.


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