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 Ahmadinejad defende cadeira do Brasil em conselho da ONU
23 de novembro de 2009 16h06 atualizado em 24 de novembro de 2009 às 17h23

Ahmadinejad defendeu que o Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) passe por mudanças fundamentais. Foto: AFP

Ahmadinejad defendeu que o Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) passe por mudanças fundamentais
Foto: AFP

Keila Santana
Direto de Brasília

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, defendeu nesta segunda-feira que o Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) passe por mudanças fundamentais. Em seu discurso no Brasil, Ahmadinejad defendeu uma cadeira permanente para o Brasil no conselho, afirmou que a ONU nos últimos 60 anos e chamou o colega brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, de "bom amigo".

"O Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) deve passar por mudanças fundamentais. O Conselho de Seguraça fracassou nos últimos 60 anos, no sentido de estabelecer a segurança em todo o mundo", disse Ahmadinejad. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, também reiterou a defesa de uma reforma profunda, onde todos os continentes possam ser representados "no cenário do mundo contemporâneo, e não no cenário de 1949".

"O governo do Irã e o governo do Brasil, incluídos eu e meu bom amigo presidente Lula, estamos procurando construir um mundo distante da hostilidade. Um mundo onde não haja ocupações ou guerra, um mundo distanciado das discriminações", afirmou o presidente iraniano.

No discurso, Ahmadinejad disse que a presença do Brasil no Oriente Médio pode ajudar no processo de paz. Ele afirmou também que o País poderá ser um elo entre o Irã e a América Latina. "Os dois países, igualmente, desejam buscar um fim às humilhações e agressões militares perpretadas e os dois países procuram um mundo livre de armas, principalmente de armas nucleares", disse.

Em entrevista coletiva, Ahmadinejad disse que o Irã já respondeu a todas as perguntas da Agência Internacional de Energia Atômica sobre o programa nuclear do país, criticando os Estados Unidos por criarem pretextos fictícios para contestar o desenvolvimento da tecnologia iraniana. "O governo de Bill Clinton elaborou pretexto falso para impor sanções ao Irã. Não é novidade que muitas vezes os países do ocidente tem nos confrontado", disse.

Lula e Ahmadinejad assinaram nesta segunda-feira acordos em Brasília. Nos tratados bilaterais, Brasil e Irã decidiram extinguir a exigência de visto diplomático para entrada nos dois países. Os dois governos assinaram ainda acordos de cooperação nas áreas de cultura, tecnologia, energia, mercado financeiro e agricultura. "Esses acordos (que assinamos hoje) abrem o caminho para o futuro de nossas relações prósperas", disse o iraniano.

Este é o terceiro encontro do presidente Lula com Ahmadinejad desde 2008. Os dois presidentes já se encontraram no Equador e nos Estados Unidos. O iraniano segue agora para reuniões com os presidentes da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

Ahmadinejad deve fazer um discurso no Instituto de Educação Superior de Brasília (IESB), por volta das 18h, onde vai responder perguntas de estudantes e jornalistas. Segundo a assessoria do IESB, ele quer debater suas ideias com a população de Brasília e estará aberto a perguntas de temas que vêm provocando polêmica na comunidade internacional como a inexistência do holocausto, o domínio da tecnologia nuclear e a perseguição religiosa.

Redação Terra

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