Notícias » Brasil » Brasil

 Battisti: Tarso é livre para opinar, diz ministro italiano
20 de novembro de 2009 18h41

O ministro da Defesa da Itália, Ignazio La Russa, evitou nesta sexta-feira comentar as declarações do ministro da Justiça brasileiro, Tarso Genro, que afirmou que há "influências fascistas" em alguns setores do governo italiano para a extradição do ex-ativista italiano Cesare Battisti. "Ele é livre para expressar sua opinião, como nós fazemos aqui na Itália", disse. A informação é da Agência Ansa.

Em janeiro, Tarso concedeu refúgio político a Battisti, condenado à prisão perpétua na Itália pela morte de quatro pessoas, sob o argumento de que o ex-ativista estaria ameaçado por um "fundado temor de perseguição" em seu país. O ministro disse na quinta-feira que há uma tendência no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem caberá a palavra final, de manter o italiano no País por razões "humanitárias e políticas".

"A Itália não é um país nazista nem fascista, mas vem sendo constatado um crescimento preocupante do fascismo em parte da população", disse Tarso. "O fascismo vem ganhando força inclusive em setores do governo", afirmou. Em declarações à Ansa, o ministro disse que alguns membros do governo italiano parecem querer "vingança" de Battisti.

Ontem, Tarso descartou a hipótese de que uma eventual negativa do Brasil ao pedido de extradição possa desencadear uma crise diplomática com a Itália. Na quarta-feira, o Supremo Tribunal Federal (STF) votou pela extradição de Battisti, mas delegou o pronunciamento final ao presidente Lula, que pode ou não seguir a indicação. O entendimento dos ministros é que o STF não julgou o mérito da extradição, mas apenas sua legalidade. Portanto, a decisão de entregar ou não o ex-ativista à Itália é do Executivo.

Battisti, ex-ativista do grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), foi preso em março de 2007 no Rio de Janeiro e o governo italiano pediu sua extradição em maio do mesmo ano. Em janeiro, o ministro da Justiça, Tarso Genro, concedeu status de refugiado político ao italiano. O Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) havia dado parecer contrário ao refúgio.

Redação Terra