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 Battisti está determinado a seguir greve de fome, fiz fonte
20 de novembro de 2009 15h40 atualizado às 15h54

Uma fonte da equipe de advogados de defesa de Cesare Battisti afirmou nesta sexta-feira que o italiano "tem a decisão irredutível" de prosseguir com a greve de fome que iniciou na semana passada, quando ainda aguardava o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre sua extradição. As informações são da Ansa.

Na quarta-feira, após três sessões, o STF concluiu o julgamento do pedido de extradição do ex-ativista, solicitada pela Itália. Cinco de nove ministros votantes entenderam que ele deve cumprir a pena à qual foi condenado em seu país. Outros quatro ratificaram o refúgio político concedido a Battisti em janeiro pelo ministro da Justiça, Tarso Genro.

Pelo mesmo placar de cinco votos a quatro, a corte preferiu deixar sob a responsabilidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a palavra final sobre o caso. O chefe de Estado terá, desta forma, autonomia para ratificar ou não o parecer do STF.

De acordo com a fonte, embora tenha sido recomendada a suspensão da medida, o ex-ativista, condenado à prisão perpétua em seu país, "mostrou-se muito seguro" da decisão, que considera política.

Segundo o integrante da equipe de defesa, Battisti continua a receber acompanhamento médico na Penitenciária da Papuda, em Brasília, onde está detido, e deixou de tomar soro. Segundo a testemunha, ele está magro e abatido.

Nesta sexta-feira, em uma entrevista concedida a jornalistas da Bahia, onde recebe o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, Lula revelou que sua decisão já está tomada, mas só será divulgada após receber o posicionamento formal do STF.

Segundo informações da Ansa, a fonte disse que Battisti encarou a decisão do Supremo "como uma vitória".

Apelos
Nos últimos dias, autoridades fizeram vários apelos para que Battisti desistisse da greve de fome, entre eles o presidente Lula, que voltou a tocar no assunto nesta sexta-feira, e o ministro da Justiça, Tarso Genro. Seu próprio advogado, Luís Roberto Barroso, deu a mesma orientação.

O italiano, relatou o membro da equipe de defesa, tomou conhecimento de alguns destes pedidos, mas ainda assim segue determinado a levar seu protesto adiante.

"Já disse para ele - Battisti - que pare com a greve de fome, porque eu já fiz greve de fome e é um ato de desespero ou de ignorância, eu jamais faria outra vez. Isso não ajuda ele, nós não estamos mais no momento de ficar recebendo esse tipo de pressão", disse Lula.

Battisti foi condenado à prisão perpétua por quatro homicídios ocorridos no fim dos anos 70, quando era integrante do grupo de esquerda Proletários Armados pelo Comunismo (PAC).

Redação Terra