Com visita ao Brasil prevista para a próxima segunda-feira, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou nesta sexta-feira que ambos os países desempenham papéis "importantes e merecidos" na governança mundial e cobrou maior cooperação entre os governos.
Sobre as relações comerciais entre o Brasil e o Irã, Ahmadinejad ressaltou que ambas as nações têm grande capacidade em áreas como a agricultura, a pecuária, a indústria e o turismo. Ele afirmou que empresários brasileiros e iranianos buscam parcerias "seguras e confiáveis" beneficiadas por uma relação econômica equilibrada.
"Todas essas semelhanças têm raízes em um espírito terno e em uma cultura muito próxima entre os dois povos. Esse interesse mútuo vence a distância geográfica", disse.
Em artigo, Ahmadinejad classificou de "injusta" a polêmica em torno do programa nuclear iraniano e reafirmou que a iniciativa tem fins pacíficos. "Alguns poucos poderes arrogantes tentam impedir que outras nações tenham acesso a ciências avançadas", disse. "O alastramento da pobreza no mundo por motivo de políticas econômicas baseadas no pensamento capitalista de acumulação de armamentos de destruição em massa e no armazenamento de armamentos atômicos em países defensores dos direitos humanos gera o crime e a violência", completou.
O presidente iraniano comentou também os conflitos na Faixa de Gaza e disse que, caso o governo brasileiro condene os ataques, a medida representaria "um desejo mútuo" dos dois países pela luta contra a opressão e a injustiça.
Ahmadinejad elogiou setores como o cinema e a literatura no Irã e no Brasil, mas criticou a atuação da imprensa, sobretudo a norte-americana. O líder citou uma espécie de "monopólio da mídia" atuando nos Estados Unidos, e disse que isso estaria dificultando o conhecimento da "realidade e das potencialidades" iranianas.
Em entrevista à Agência Brasil, o embaixador iraniano, Mohsen Shaterzadeh, disse na quinta-feira que em seu país predominam a democracia e o respeito aos direitos humanos e políticos e desprezou eventuais pressões internacionais que inibam parcerias entre o Brasil e o Irã.


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