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 Crateras no solo assustam moradores da Vila do Pan no Rio
16 de novembro de 2009 04h44

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Os moradores da Vila do Pan, na Barra da Tijuca, merecem medalha de ouro. Para superar os obstáculos que parecem se multiplicar no condomínio construído para abrigar os atletas durante os Jogos Pan-Americanos de 2007, eles estão tendo que mostrar fôlego de campeões. Problemas no terreno que está afundando vêm provocando a abertura de grandes crateras, algumas com mais de 50 metros quadrados e até três de profundidade.

Revoltados com a situação do condomínio, dos poucos proprietários que se mudaram para o local muitos já pensam em se livrar do problema. E estão tentando vender os imóveis até por menos do que pagaram.

"Estou ficando desesperada. Todo dia percebo um problema diferente. Já estou ficando com medo. Por isso decidi vender meu apartamento logo, mesmo perdendo dinheiro, antes que ninguém mais queira vir morar aqui", desabafou uma moradora, que pagou R$ 300 mil pelo apartamento de três quartos e está disposta a vendê-lo por R$ 250 mil.

Além do surgimento de buracos ao longo do condomínio que abriga 1.480 apartamentos, o deslizamento de terra em algumas áreas também já provocou a queda de várias grades de ferro que circundam os prédios. Elas foram engolidas pelos buracos. Outras que ainda permanecem de pé estão completamente tortas e comprometidas.

Nem os estacionamentos construídos no subsolo dos edifícios escaparam dos problemas. Basta chover para que fiquem alagados. "Estou arrependido de ter investido meu dinheiro aqui. Nada funciona. E, o que é pior, estou vendo o condomínio afundar sob meus pés e ninguém faz nada para resolver o problema. A única coisa que fazem é fechar os buracos que aparecem", criticou o advogado Marcelo Bianchi, 38, que também é dono de apartamento de três quartos no condomínio.

Atendendo a convite de O Dia, o engenheiro Antônio Eulálio Pedrosa, especialista em estruturas, esteve no local. Apesar de ter ficado surpreso com o tamanho e a profundidade de algumas crateras, ele descartou os riscos de desabamento dos prédios. "Mas, como esse solo é muito mole, não há como evitar que ele continue adensando (rebaixando) ao longo do tempo", afirmou Eulálio, que aproveitou para fazer um alerta.

"É preciso fixar suportes sob as tubulações para evitar que elas se rompam, provocando fuga de material do solo por dentro da rede. Isso causaria a formação de novas crateras ou ampliação das atuais, comprometendo a estabilidade dos muros, calçadas e caixas de quadros elétricos. Sem isso, os moradores serão obrigados a conviver com o problema. E, com o tempo, podem até precisar de passarelas para entrar nos prédios", afirmou.

Segundo Eulálio, em caso de rompimento da tubulação de esgoto, o vazamento também pode provocar a "contaminação do lençol freático e até da água utilizada pelos moradores do condomínio".

Problemas surgiram durante a obra
Construído para abrigar os mais de oito mil atletas que vieram ao Rio participar dos Jogos Pan-Americanos de 2007, o condomínio Vila do Pan começou a demonstrar sinais de fragilidade ainda durante a fase de obras. A poucos dias da chegada das primeiras delegações, pelo menos duas crateras com até 100 metros quadrados surgiram no terreno. Um dos buracos, que se formou no dia 25 de maio de 2007 deixou à mostra as estacas usadas para garantir a sustentação de um dos edifícios.

Na época, a Construtora Agenco, responsável pelas obras, informou que o problema foi provocado pelo afundamento da sustentação de algumas tubulações por onde passam redes de água, esgoto, gás e até fios de telefone e de luz, que ficam localizados sob os jardins, vias e calçadas do condomínio. Após o acidente o diretor da construtora, Sérgio Goldberg, chegou a garantir que o problema havia sido resolvido, e que não havia riscos de novos desabamentos no terreno..

Mas, dois anos e meio depois, o problema continue tirando o sono dos moradores do condomínio.

b>Complexo esportivo ainda parado
A insatisfação dos moradores e proprietários do condomínio da Vila do Pan com as precárias condições do local foi parar na Justiça, onde já foram impetradas mais de 300 ações. Revoltados, eles também reclamam de promessas feitas durante a venda dos imóveis e que até hoje não foram cumpridas. A principal reivindicação é a construção de um complexo esportivo que ainda não saiu do papel.

Procurada por O Dia, a Construtora Agenco, responsável pelo empreendimento, não retornou as ligações. Gerente-geral do condomínio, Jorge Luís Rocha tentou amenizar o problema. "Esses buracos foram provocados por um problema do solo. Mas tudo que foi danificado está sendo recuperado", informou Jorge, que não soube detalhar os projetos de prevenção.

Sobre a obra do complexo esportivo, o gerente-geral limitou-se a dizer que o problema é burocrático. "Só estamos dependendo de uma licença ambiental da Prefeitura", justificou Jorge, que não soube explicar as razões da demora.

Agente financeiro do empreendimento, a Caixa Econômica Federal informou que não recebeu nenhuma queixa formal dos moradores. Caso isso ocorra, a Caixa prometeu acionar a construtora.

O Dia
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