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 PT ameaça chamar Serra para debate sobre apagão
14 de novembro de 2009 07h44

O governo já não descarta mais partir para o embate técnico com o PSDB se as críticas da oposição continuarem em cima de Dilma Rousseff, a ministra candidata à Presidência. Na sexta-feira o curto-circuito político em torno do blecaute continuou em Brasília, com troca de ameaças. O líder do PT na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP), não descarta convidar Dilma e José Serra, o governador tucano de São Paulo e também pré-candidato, para um confronto no Congresso.

Enquanto o PT angaria dados e números de sua gestão, para comparar com o apagão da era FHC, a oposição aproveita o momento para bater no governo e em Dilma. Justo por isso, a base chama o episódio de desespero, porque a oposição não teria ainda um discurso para a campanha de 2010.

A presença da ministra no Congresso para debater o apagão, no entanto, não é unanimidade entre os governistas. Líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS) classifica de absurda a possível convocação da ministra pela oposição, uma vez ¿o governo tem um ministro de Minas e Energia para dar as satisfações necessárias¿. Onde quer que vá, Fontana tem carregado consigo a pastinha com os números do ¿progresso energético¿ no governo Lula.

"O discurso da oposição a trai. E mostra que a oposição quer apenas fazer política e não está nem aí para o problema de energia", dispara Fontana. "Estão querendo fazer a comparação entre os dois governos? Ótimo. O governo só tem a ganhar com uma comparação desta porque vamos mostrar os investimentos positivos do governo Lula", afirmou. Segundo o líder do governo, enquanto no governo PSDB foram instalados 10.900 km de rede de transmissão, em sete anos de governo Lula foram instalados 22.140 km.

"O que o Serra está fazendo é oportunismo político. Está tentando transformar um acidente que deve ser ser investigado em um apagão que houve no governo FHC, este sim por falta de investimento", disse Fontana rebatendo as acusações feitas por Serra, na quinta-feira, de que o sistema energético brasileiro é frágil.

"É um absurdo que nos acusem de fazer política", rebate o líder do PSDB na Câmara, José Aníbal (SP). "A obrigação da oposição é cobrar o governo. A própria ministra Dilma já disse que não estamos livres de blecautes e depois vem dizer que o problema está resolvido. Vários especialistas dizem que nada justifica o tamanho e a demora do apagão porque não tivemos uma intempérie natural tão grande", declarou.

Para o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), os governistas estão equivocados em tentar justificar uma "barbeiragem" se apegando a problemas do passado. "No passado houve um erro. As pessoas sabem disto. Mas a ministra está equivocada em dizer que estamos fazendo política com a questão. O presidente Lula deu a primeira declaração sensata ao dizer que é preciso investigar as causas do apagão. Deve ter sido bem orientado", disse Aleluia.

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse sexta-feira que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais não deve se manifestar sobre energia, e se atentar apenas à meteorologia. Lobão reage a afirmação do coordenador do Grupo de Eletricidade Atmosférica do Inpe, Osmar Pinto Junior, que descartou a possibilidade de um raio ter causado o blecaute

Jornal do Brasil
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