Notícias » Notícias

 Justiça alternativa trata mais de 3 mil jovens usuários
15 de novembro de 2009 10h29

Comentários
 
Hermano Freitas

No final da década de 1980, Miami recebeu milhares de imigrantes oriundos da Cuba de Fidel Castro em poucos meses, numa grande fuga em massa. O problema social da superpopulação acarretou na proliferação do uso e tráfico de drogas e de um salto na violência em geral. O seriado de TV Miami Vice descrevia o balneário como a capital mundial da cocaína.

Neste cenário, surgia uma iniciativa inovadora. O juiz norte-americano Jeffrey Rosinek deu início a um Tribunal para Dependentes Químicos. A intenção era aliviar o congestionado sistema judiciário da Flórida. O desafio ia de encontro com um problema de saúde de enorme custo social: cada usuário de drogas comete, em média, 66 crimes por ano - como roubo e furto, de acordo com Rosinek.

Atualmente, o sistema de pré-julgamento de usuários de drogas e encaminhamento de dependentes químicos para medidas socio-educativas já foi copiado 2.300 vezes em todo o mundo. Para cada US$ 1,00 que os EUA gastam com estes tribunais alternativos, há uma economia de US$ 2,21 na manutenção de prisões (ou economia de 221%). "Quem não gostaria deste tipo de rendimento em uma poupança?", compara o juiz.

No Brasil a iniciativa foi copiada no Forum de Porto Alegre em 1999. Diferentemente do caso americano, no Rio Grande do Sul a principal dificuldade era lidar com milhares de jovens menores de idade sem previsão de processo criminal e encarceramento. "A faixa etária de quem comete delitos em função de drogas está entre os 13 e os 23 anos, 98% dos casos", diz o o procurador de Justiça, Ricardo Silva, que preside a Associação de Justiça Terapêutica no Brasil.

Dos 27 estados, 22 utilizam o sistema da justiça terapêutica em variados estágios de implantação. Segundo a associação, a meta é de que todos os estados tenham programa semelhante e assim será possível um estudo quanto à sua eficácia. Tanto os EUA quanto o caso brasileiro comemoram um resultado comum: a reintegração de milhares de usuários e suas famílias a partir da recuperação.

As deficiências na legislação de menores levaram à opção por medidas não punitivas com reclusão nas unidades penais para menores, como as antigas Febens. No ano passado, de acordo com o procurador, 989 adultos e 3.172 menores foram atendidos no sistema. "O princípio é o mesmo, o de que o sujeito só cometeu o crrime por causa do vício e é melhor que seja tratado em lugar de recolhido para uma cadeia", explica.

Os juizados especiais partem do princípio que o delinquente cometeu o crime em função da doença da dependência química. Pequenos delitos como assaltos sem violência e furtos. A obrigação do infrator é comparecer ao programa e, uma vez por mês, fazer um relatório de sua evolução no tratamento.

Redação Terra