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 Usina de Itaipu gerou disputa entre Brasil e Paraguai
11 de novembro de 2009 03h03 atualizado às 08h56

A usina de Itaipu, onde houve uma pane que causou apagão em pelo menos nove Estados, foi alvo de controvérsia diplomática entre Brasil e Paraguai. Criada em 1973, a usina é considerada a maior do mundo em termos de energia gerada e abastece 20% do território brasileiro. No Paraguai, Itaipu gera 90% do que é consumido.

Localizada no Rio Paraná, na fronteira entre Brasil e Paraguai, a usina hidrelétrica de Itaipu foi criada em 1973, mas apenas em 1984 começou efetivamente a gerar energia. É considerada a maior hidrelétrica do mundo, em termos de energia gerada.

Os governos do Paraguai e do Brasil são os dois sócios da empresa, com participações iguais. Quando o tratado foi assinado, ficou acertado que cada país ficaria responsável por 50% do capital inicial (US$ 50 milhões para cada).

O Congresso paraguaio aprovou no dia 5 de novembro o acordo sobre a usina hidrelétrica de Itaipu selado entre o presidente do país, Fernando Lugo, e seu colega do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.

O compromisso, que garante mais benefícios ao Paraguai na central geradora de energia, tinha sido uma promessa de campanha do chefe de Estado paraguaio e gerou polêmica no Brasil.

A aprovação final do acordo, assinado pelos dois presidentes em Assunção, aconteceu na Câmara dos Deputados, um mês e cinco dias depois de ter sido enviado ao Parlamento.

O documento, que ainda precisa do sinal verde do Congresso brasileiro para entrar em vigor, já tinha sido ratificado pelos senadores paraguaios em 22 de outubro.

Lugo e Lula referendaram o compromisso em 25 de julho. Nele, o Brasil aceita pagar ao Paraguai o triplo do que desembolsa pelo excedente da energia gerada pelo país vizinho em Itaipu.

Em virtude do acordo, o Paraguai passará a receber US$ 360 milhões ao ano do Brasil, em vez dos US$ 120 milhões atuais. O acordo também dá ao Paraguai a possibilidade de comercializar seu excedente diretamente no sistema brasileiro ou de vendê-lo a outros países.

A esse respeito, representantes paraguaios e brasileiros de uma comissão especialmente formada para tratar do acordo disseram no fim de setembro, após uma reunião em Assunção, que o Paraguai poderia começar a vender sua energia excedente no país vizinho já a partir de 2010.

O documento também prevê um investimento US$ 450 milhões, dinheiro que será disponibilizado pela hidrelétrica, na construção de uma rede de transmissão de 500 quilowatts da represa até Villa Hayes, cidade próxima à capital paraguaia.

O acordo, de 31 pontos, também prevê outras obras de infraestrutura no Paraguai, como a construção de duas novas pontes entre ambos os países, para dinamizar o comércio fronteiriço.

Blecaute
Um apagão atingiu pelo menos os Estados de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Goiás, Rio Grande do Sul, Paraná e Espírito Santo. Segundo o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, o problema ocorreu na hidrelétrica de Itaipu devido a uma falha das linhas abastecidas por Furnas. Com 20 unidades geradoras e 14 mil megawatts de potência instalada, a usina binacional de Itaipu fornece 19,3% da energia consumida no Brasil e abastece 87,3% do consumo paraguaio.

De acordo com o Operador Nacional do Sistema (ONS), cerca de 17 mil megawatts de potência - o equivalente a toda a energia necessária para o Estado de São Paulo - foram perdidos com a pane, o que impossibilitou o fornecimento para as demais regiões.

Redação Terra