A assessora técnica do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea), Patrícia Rangel, afirmou nesta terça-feira que deveriam ser punidos os universitários que insultaram e perseguiram a estudante de Turismo Geisy Arruda na Universidade Bandeirante (Uniban). A aluna chegou a ser expulsa da universidade, mas a decisão foi revogada na segunda-feira.
Geisy não vai à Uniban desde o dia 22 de outubro, quando foi hostilizada pelos alunos do campus de São Bernardo do Campo por causa do vestido que usava. As imagens da confusão foram gravadas por universitários e postadas no site YouTube no mesmo dia.
"Deveria haver sim algum tipo de punição em relação aos agressores. Porque foi feito um ato de violência contra uma aluna e os agressores devem ser punidos. Até porque se trata de um caso típico de violência contra às mulheres", afirmou.
O vice-reitor da Universidade Bandeirante (Uniban), Ellis Brown , instituição onde ocorreu a agressão, disse hoje que os alunos envolvidos no episódio não serão punidos. A universidade optou por um ciclo de palestras em vez de aplicar medidas disciplinares. Por conta dessa nova opção, a instituição reintegrou a aluna vítima da agressão, que havia sido expulsa.
Durante a entrevista coletiva, o vice-reitor da Uniban afirmou que o incidente não se tratava de uma questão de gênero ou de vestimenta, mas uma discussão de postura. No entanto, para a assessora do Cfemea, o incidente é "um exemplo claro de violência de gênero e de violação dos direitos humanos". Segundo Patrícia Rangel, o argumento de que a vítima é responsável pela agressão é comumente utilizado nas violências de gênero. "Definitivamente, a instituição reproduz esses valores machistas que determinam que cada sexo tenha uma regra de conduta e uma regra de vestuário", disse.
Quanto à proposta educacional da universidade, a assessora da Cfemea disse que parece se tratar de uma maneira de reforçar as ideias que geraram a agressão. "A impressão que nós tivemos é que seria um processo educativo moralizante, para enquadrar ainda mais esses padrões de conduta femininos e masculinos. Isso seria sem dúvida a pior decisão", afirmou.
Patrícia Rangel acredita que deveria ser realizado um trabalho para conscientizar os alunos sobre a igualdade de gênero, "de forma a defender as liberdades individuais e a autonomia".
- Agência Brasil

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