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 Rio: polícia causa mais mortes que bandidos em 3 regiões
06 de novembro de 2009 16h40 atualizado às 17h38

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Três áreas do Rio de Janeiro tiveram, entre janeiro e setembro deste ano, mais mortes causadas por policiais do que por criminosos, segundo apontam dados do Instituto de Segurança Pública do Rio (ISP). As regiões de São Cristóvão, Mangueira, Grande Tijuca, Copacabana e Leme registraram mais autos de resistência (mortes em confrontos com a polícia) do que homicídios dolosos (quando há intenção de matar).

Nos bairros de São Cristóvão, Mangueira e Caju, região que engloba o 4º Batalhão da Polícia Militar e a 17ª Delegacia de Polícia Civil, foram registrados dez homicídios dolosos contra 11 autos de resistência.

Na Grande Tijuca, área atendida pelo 6º Batalhão da Polícia Militar e pelas 18ª, 19ª e 20ª delegacias, foram 35 mortes provocadas pela polícia, contra 32 assassinatos comuns. A região em que o fenômeno é mais evidente é a área de Copacabana e Leme, do 19ª batalhão e das 12ª e 13ª delegacias. Nos primeiros nove meses deste ano, foram 11 autos de resistência, dois a mais que os nove homicídios dolosos. Uma das zonas que mais concentram turistas no Rio, Copacabana e o bairro vizinho já haviam apresentado situação semelhante em 2008. No ano passado, 17 mortes haviam sido causadas pela polícia, contra apenas três assassinatos comuns.

Para o cientista social e ex-coronel da PM Jorge da Silva, o número elevado de autos de resistência é resultado de uma política de confronto. "É um filme que todos já vimos. Morrem bandidos, policiais, supostos bandidos, crianças e senhoras. E ainda há quem ache que o caminho é esse".

Silva responsabiliza o governo do Estado pelas mortes. "A política do atual governo acentua uma tendência repressiva, característica de nossa sociedade. Parte de uma premissa falsa, a de que o confronto armado é meio eficaz para oferecer segurança e tranquilidade à população. Não difere muito das gestões anteriores", afirma Silva. Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), ex-secretário estadual de Direitos Humanos (2003-2006), ex-presidente do ISP (2003) e ex-corregedor das polícias do Rio (2003), Silva diz que tentar resolver questões sociais, como a violência, só com a polícia, é um erro.

"Isso também leva muitos policiais ao túmulo. No fundo, são todos vítimas de equívocos políticos. A polícia não tem a capacidade de remover causas e fatores... No máximo, nas circunstâncias, enxuga gelo", afirmou o especialista, que nasceu no Complexo do Alemão.

A Secretaria de Segurança do Rio não soube informar o motivo pelo qual essas três regiões tiveram mais mortes provocadas pela polícia do que homicídios. Sobre as críticas à política de segurança do Estado, a assessoria da secretaria disse, por meio de nota, que "respeita o direito de expressão de todo cidadão" e, por isso, não comentaria os argumentos apresentados por Silva.

Se analisado o Estado do Rio de Janeiro como um todo, verifica-se uma proporção de dois autos de resistência para cada 11 homicídios dolosos, já que, nas outras regiões, os assassinatos superam os autos de resistência.

Em áreas como a Barra da Tijuca, por exemplo, sequer foram registradas mortes provocadas pela polícia nos primeiros nove meses deste ano. De janeiro a setembro, ocorreram 805 autos de resistência e 4.460 assassinatos no Estado.

Agência Brasil