- Márcio Leijoto
- Direto de Goiânia
O Ministério Público de Goiás abriu nesta quinta-feira investigação para apurar a denúncia de que mulheres e adolescentes, filhas ou irmãs de detentos do presídio de Anápolis, a 55 km de Goiânia, estariam sendo entregues a outros presos para serem abusadas sexualmente como pagamento de dívidas contraídas por consumo de drogas, cigarros ou mesmo produtos de higiene pessoal.
A denúncia foi feita por duas mulheres de detentos na Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Vereadores local, que se disseram indignadas com a conivência dos pais. "Elas disseram que presenciaram isso durante muito tempo e por serem mães estavam revoltadas porque nenhuma autoridade tomava providência", disse o vereador Carlos Antonio de Souza Costa (PSC), vice-presidente da comissão, que apresentou a denúncia ao Conselho Tutelar e à Justiça.
Para o vereador, os relatos das mulheres que fizeram a denúncia apontam que há "algo muito errado acontecendo dentro da cadeia que precisa ser investigado". "São cinco confirmações de que existe isso (abuso em troca de dívidas) lá dentro. É muita coisa para ser uma mentira", disse.
O vereador disse que depois que a denúncia se tornou pública outras três mulheres o procuraram para confirmá-la. As visitas ocorrem no domingo. Segundo as denúncias, as adolescentes chegam para visitar seus pais ou irmãos, mas seriam levadas para a cela B-24, onde a prática sexual é realizada.
"Não há palavras para descrever a indignação que isso causa", afirmou o promotor da Infância e Juventude do MPE de Anápolis, Carlos Alexandre Marques. "Vamos apurar o que está acontecendo, se as denúncias procedem. Caso isso seja confirmado, os pais poderão perder a guarda das filhas, pois não têm a mínima condição de se responsabilizarem por elas", disse.
Além do MP, o juiz da Vara da Infância e Juventude de Anápolis, Carlos Limonge Sterse, também abriu procedimento para investigar o caso. "Domingo uma equipe nossa vai até o presídio ver como ocorrem as visitas e em seguida vamos regulamentar esse procedimento. Paralelamente a isso, tem a investigação do promotor da Infância e Juventude e do promotor criminal. O Conselho Tutelar e a Vara de Execuções Penais também vão cuidar do caso", disse o juiz.
A assessoria de comunicação da Superintendência do Sistema de Execução Penal (Susepe) afirmou, por meio de nota, que foi aberta uma sindicância preliminar para verificar as denúncias. "De acordo com o diretor do CIS (Centro de Inserção Social, como é chamado o presídio), Anderson Luiz Brasil Silva, não há, na unidade, nenhum indício de irregularidade ou da prática dos atos denunciados", disse a assessoria. Ainda segundo o órgão, o diretor teria dito que "a gravidade das acusações indignou servidores e os próprios detentos".



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