Notícias » Brasil » Brasil

 ANA inaugura sala de situação para monitorar reservatórios
05 de novembro de 2009 17h05 atualizado às 17h51

Comentários
 

A Agência Nacional de Águas (ANA) inaugurou nesta quinta-feira a sala de situação, onde serão monitorados o nível e a vazão dos rios em todo o Brasil, as chuvas acumuladas e a situação dos principais reservatórios. Essa ação visa a prevenir eventuais catástrofes, já que os principais reservatórios do País encontram-se com os níveis mais elevados dos últimos dez anos para esta época, o que deixa algumas áreas em situação vulnerável com relação ao risco de enchentes.

No Nordeste, o reservatório Armando Ribeiro Gonçalves, no Rio Grande do Norte, está com 91% de sua capacidade. Em 2008, no mês de outubro, o reservatório estava com 92% de sua capacidade máxima e as chuvas do período provocaram inundações que causaram prejuízos à fruticultura e carcinocultura (produção de camarões) no vale do Açú. Também, no Rio Grande do Norte, o reservatório de Santa Cruz do Apodi já chega a 96%.

No Ceará, os reservatórios de Orós, Banabuiu e Castanhão, na bacia do rio Jaguaribe, estão com 92,5%, 84,5% e 82,4% de suas capacidades de armazenamento, respectivamente. O reservatório de Pacajus está com 95,2%, volume mais de 20% acima do que estava em outubro do ano passado (76,91% de sua capacidade). No Piauí, o reservatório de Salinas está com 99,37% de sua capacidade e o de Jenipapo, com 97,98%. Em Pernambuco, Jucazinho está com 95,59% e, na Bahia, Bandeira de Melo já chega a 99,63%.

No Sudeste, os quatro reservatórios da bacia do rio Paraíba do Sul, região que concentra o segundo maior Produto Interno Bruto (PIB) do País, estão próximos à capacidade máxima. O maior deles, o Paraibuna, está com 83,13% de sua capacidade, sendo que, na mesma época do ano passado, estava com 61,26%. Guararema, Jacareí, São José dos Campos e Caçapava são alguns exemplos de municípios situados na região, no vale do Paraíba do Sul, que podem ser impactados por cheias deste reservatório.

Na região Sul, os reservatórios de Passo Fundo, na bacia do rio Uruguai, atingiu 98,61% de sua capacidade, e G. B. Munhoz e Salto Santiago, na bacia do rio Iguaçu, atingiram 99,93% e 99,85%, respectivamente.

A sala de situação funcionará 24 horas durante todos os dias. Inicialmente, as informações não estarão disponíveis na internet, mas após a realização de testes, a ideia da diretoria da ANA é deixar os dados online.

Além dos dados da Rede Hidrometereológica Nacional (composta por cerca de 14.822 estações de monitoramento), a sala de situação trabalhará com dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs).

O diretor-presidente da ANA, José Machado, disse que a sala de situação disseminará todas as informações para que a população possa usufruir delas. "A ANA terá de monitorar esses reservatórios e informará à Defesa Civil sobre a iminência de fatos que poderão se agravar no decorrer do período", afirmou ele ao se referir ao fato de ter reservatórios já terem atingido 95% de sua capacidade.

O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, disse que o País está se preparando com uma "antecedência fora do comum", já que o período de chuvas intensas é, geralmente, em fevereiro. "Não existe nenhuma situação colocando em alerta (regiões) nem risco humano. Estamos antecipando as medidas para tomar previdências."

"(A ANA) se instrumentalizou para fazer o que já vem fazendo. A Sala (de Situação) é o final de um projeto estratégico", disse Chipp.

Redação Terra