- Roger Pereira
- Direto do Paraná
A afirmação do governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), no programa Escola de Governo do dia 27 de outubro, quando atribuiu o crescimento dos casos de câncer de mama em homens à sua participação em paradas gay, podem gerar nova multa ao governante por desobedecer a decisão judicial que o impede de usar a programação da Rádio e Televisão Educativa do Paraná para atacar ou criticar adversários, desafetos ou instituições. A reunião da equipe de governo é transmitida ao vivo pela emissora.
O Ministério Público Federal (MPF) informou nesta quarta-feira que já solicitou cópias da reunião transmitida ao vivo pela televisão estatal para avaliar se, neste episódio, Requião descumpriu a determinação.
Na reunião de terça-feira, Requião disse que o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, que criticaram o comentário do governador paranaense "devem ter se divertido" na parada gay do Rio de Janeiro. "Jamais me verão dançando em uma parada dessas", afirmou. O MPF também já solicitou as gravações desta edição.
O MPF é responsável pela ação que resultou na sentença do Tribunal Regional Federal da 4ª Região contra o uso político e pessoal da televisão estatal pelo governador. A sentença, proferida em janeiro de 2008, determinou multa de R$ 50 mil para o governador em caso de descumprimento da decisão e estipulou em R$ 200 mil a multa por reincidência. Se for novamente multado, o passivo gerado pelo uso da TV Educativa vai ultrapassar R$ 1 milhão.
A primeira multa foi aplicada na semana seguinte, em 15 de janeiro de 2008, quando o governador, dizendo estar censurado, mandou cortar o áudio de parte da reunião, exibiu uma tarja de censura na imagem e iniciou o programa dando uma receita de ovo frito. Requião já foi multado em R$ 850 mil, com quatro reincidências no descumprimento da decisão judicial. A última foi em 14 de julho deste ano, quando fez ataques ao prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB).
Requião também é processado por calúnia e difamação pelo desembargado Edgar Lippmann Júnior, responsável pela sentença que impede o uso pessoal da televisão estatal. Lippmann foi um dos alvos de Requião na Escola de Governo e pediu afastamento do caso para processar o governador.



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