Eduardo Azeredo (dir.), ao lado do senador Marco Maciel (DEM-PE), pode ser julgado pelo STF
09 de setembro de 2009
Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
- Laryssa Borges
- Direto de Brasília
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou nesta quarta-feira que o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) tinha "relacionamento intenso" com o mensalão mineiro, esquema que, por meio de empréstimos fictícios e desvio de recursos públicos, teria arrecadado milhões como caixa dois para a tentativa de reeleição de Azeredo como governador de Minas Gerais em 1998.
"Todos os denunciados tinham consciência de que captação de recursos para a disputa eleitoral tinha como formato o quadro delituoso. (Azeredo) Mantinha intenso relacionamento com o núcleo que operou todo o esquema criminoso: Marcos Valério, Cristiano Paz e Ramon Hollerbach", disse o chefe da Procuradoria Geral da República (PGR), que afirmou que ocorreram uma série de telefonemas entre os dois grupos: 72 ligações feitas, sendo 57 do grupo de Valério.
"Existe certeza do crime e indícios veementes de autoria", observou Gurgel. O Supremo Tribunal Federal (STF) julga nesta manhã se aceita ou não a abertura de denúncia contra Azeredo pela suposta prática dos crimes de peculato e lavagem de dinheiro durante a campanha para sua reeleição ao governo de Minas Gerais em 1998. O hoje senador tucano perdeu o pleito na época para Itamar Franco.
Para Roberto Gurgel, o desvio de recursos públicos em Minas Gerais serviu ainda como base para o mensalão, outro esquema ilegal, de maiores proporções, que supostamente buscou comprar apoio político de parlamentares para a aprovação de projetos considerados prioritários para a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva. "Os fatos delituosos praticados na campanha (...) foram origem e serviram de laboratório para Marcos Valério. (É a) Mesma estrutura operacional de desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e fraude de empréstimos bancários que deu origem à ação penal 470 (ação envolvendo o processo do mensalão)", observou o procurador-geral.
Originalmente o processo tinha 15 denunciados, incluindo, além de Azeredo, o empresário Marcos Valério, o presidente da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), Clésio Andrade, e o ex-ministro de Relações Institucionais do governo Lula, Walfrido dos Mares Guia. Em maio, no entanto, o Supremo decidiu desmembrar o inquérito, remetendo à primeira instância o caso de todos os denunciados, com exceção de Azeredo.
Na denúncia enviada ao STF, o Ministério Público afirma ter havido desvio de recursos públicos da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e do Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge).



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