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 Mecânico afirmou que não 'ia dar' e afundou, diz sobrevivente
02 de novembro de 2009 03h30 atualizado às 15h35

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Os sobreviventes da queda do avião da FAB C-98 Caravan, resgatados neste final de semana, contaram neste domingo detalhes sobre o acidente que vitimou duas pessoas. A passageira Maria das Dores Carvalho descreveu ao Fantástico as últimas palavras do suboficial Marcelo dos Santos Dias "Ele disse: comandante, não vai dar. E afundou", lembrou Maria.

A passageira descreveu que o técnico de enfermagem João de Abreu, da Funasa, estava vivo quando o avião começou a afundar, mas não conseguiu sair do avião. O suboficial, que era mecânico da FAB, conseguiu sair, mas segundo Maria, ele era "muito pesado" e entrou em choque quando viu que o colete não lhe ajudaria a flutuar.

Após a tragédia, contou Maria, os sobreviventes rezaram e começaram a fazer fogo, para que a fumaça fosse vista pelo avião da equipe de resgate.

A Força Aérea Brasileira (FAB) informou, neste domingo, que os trabalhos para retirar a aeronave C-98 Caravan de um igarapé na região amazônica estão suspensos. Uma reunião no Sétimo Comando Aéreo Regional (VII Comar) deverá definir os próximos passos porque não existe nenhum equipamento no local do acidente capaz de retirar a aeronave da água. A Aeronáutica trabalha com duas possibilidades - usar um guincho em uma balsa ou helicópteros da Aeronáutica e do Exército.

O avião C-98 Caravan pertence ao 7º Esquadrão, sediado em Manaus (AM), e desapareceu na manhã de quinta-feira quando realizava um voo entre as cidades de Cruzeiro do Sul (AC) e Tabatinga (AM). Onze pessoas estavam a bordo, sendo quatro militares e sete funcionários da Fundação Nacional de Saúde (Funasa).

No dia seguinte, índígenas encontraram os nove sobreviventes, que passam bem, e localizaram a aeronave, que havia feito um pouso forçado em um igarapé. No sábado, o corpo do servidor da Funasa João de Abreu foi localizado. E, na manhã deste domingo, o Comando da Aeronáutica informou que encontrou o corpo do suboficial Marcelo dos Santos Dias. O corpo estava boiando próximo à margem do igarapé - a 2,5 mil m de distância da aeronave.

O corpo do suboficial da FAB foi levado para Cruzeiro do Sul (AC), de onde seguiu Manaus (AM). Uma outra aeronave o levará para o Rio de Janeiro, onde será sepultado. Casado, Dias tinha três filhos. A tripulação que sobreviveu ao acidente também poderá ir até a capital fluminense para acompanhar a cerimônia.

Redação Terra